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segunda-feira, outubro 13, 2014

Smurfs...Comunistas!

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Alguém sabe oque significa Smurf ? S.M.U.R.F= Socialist Men Under Red Father/Homens socialistas sob o comando do "Papai Vermelho". Isso mesmo minha gente os carinhas azuis eram nada mais que uma velha e boa propaganda comunista. Criados em 1958 pelo desenhista belga Peyo (Pierre Culliford), um apaixonado pelo comunismo teve a ideia de mostrar os preceitos da doutrina comunista para as crianças através de um desenho animado. Vamos a os fatos:

1- Todos os Smurfs vivem em uma floresta e trabalham em conjunto, todos se vestem iguais (túnica e calça branca) uma clara referencia a o igualitário pregado com veemência no comunismo.

2- São comandados pelo "Papai Smurf", que também veste túnica e calça más nas cores vermelhas e que possui um grande influencia nas decisões dos demais e tem uma grande barba branca ( livre referencia a Marx).

3- Gargamel e cruel, os vilões da série, queriam capturar os Smufs para transformá-los em ouro. A dominação do mais frágil e a exploração de sua mão de obra são o que permitem que o conceito da mais-valia, de Karl Marx, seja possível.

4- O único smurf que discorda das opiniões ( o Gênio) sempre expulso da aldeia no final de cada episodio (referência a Leon trotsky) o personagem chega a ter até os óculos iguais a do líder exilado e depois morto a mando de Stalin.

5-Não tem o Smurf padre, (ateísmo).

6- Todos tem uma função própria para o bom andamento da sociedade (tem o pintor,o inventor, o engenheiro etc...).

7- Nem um smurf se mete na atividade do outro (conceito básico de que você e bom no que sabe fazer).

8-Mostravam- se sempre felizes e todos trabalhavam.

É pessoal, nos tempos da Guerra Fria valia tudo.


quarta-feira, outubro 01, 2014

Ser feliz faz mal para você

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Por Thiago Perin

Lembra quando a gente falou, há um tempão, sobre um estudo americano que dizia que as pessoas felizem vivem menos? O pessoal do Washington Post publicou um artigo bem bacana sobre os efeitos-colaterais da felicidade — e prepare-se: são vários.

Pra começar, os felizes realmente morrem antes — isso porque são mais propensos a cair em comportamentos de risco, como beber demais, comer demais, usar drogas demais e se preocupar de menos com os perigos que tudo isso representa. O raciocínio também é afetado pela felicidade: o pensamento das pessoas felizes é menos sistemático, e elas são menos atentas aos detalhes — por isso, tendem a fazer julgamentos mais rápidos, e potencialmente errados. Os alegrões também são mais fáceis de enganar — em 2 estudos, voluntários mal-humorados detectaram mentiras mais facilmente do que os bem-humorados.

A felicidade mexe com o bolso, também. Em um outro estudo, conta o Washington Post, voluntários que tinham se declarado muito satisfeitos com a vida em uma primeira entrevista tinham, 20 anos depois, salários menores (cerca de $3.500 anuais a menos) do que os participantes apenas satisfeitos. Por quê? Muitos deles tinham parado de estudar antes. Ah, outra coisa que pode influenciar a trajetória profissional: as pessoas muito felizes tendem a ser menos criativas. A alegria também deixa as pessoas mais egoístas (tendo que dividir bilhetes de loteria entre eles mesmos e colegas de estudo, voluntários pegavam mais para si próprios do que as pessoas tristes) e menos eloquentes (os argumentos dos felizes são mais fracos).

Ou seja, meus amigos: quando bater a deprê, vocês podem lembrar de tudo isso, ver que até a tristeza têm seus benefícios e… Ficar felizes! Aliás… Ops. É, viver é difícil.

(Tchau, gente! Essa é a minha despedida do CIÊNCIA MALUCA. Obrigado a todo mundo que leu, comentou, curtiu, tuitou, discutiu, deu risada, xingou muito, elogiou, contou pros amigos… Foi uma delícia comandar o blog nesses 2 anos. Fiquem por aqui, que o CIÊNCIA MALUCA continua firme e forte, e a gente se vê!) :)

quinta-feira, agosto 28, 2014

Visitantes poderão observar lua com telescópios no Museu Sacaca

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Por Fabiana Figueiredo, do G1 Amapá

Os amapaenses curiosos em olhar a lua e outros objetos celestes vão ter a oportunidade de participar do "Observando em Latitude 0°" no domingo (31), no horário de 19h30 às 21h. No espaço de exposição à céu aberto dento do Museu Sacaca, em Macapá, qualquer pessoa pode participar do encontro que tem entrada franca.

O projeto, organizado pelo Planetário Móvel Maywaka e do Clube de Astronomia do Amapá - Mirzam, acontece há 2 anos no Amapá. De acordo com o físico do observatório amapaense, Cássio Renato Santos, os encontros acontecem quando a lua está nas fases mais propícias para observação como "minguante" ou "crescente".

"Disponibilizamos telescópios em locais públicos uma vez por mês para observar objetos celestes, como a lua, estrelas, nebulosas e galáxias. Ao mesmo tempo também acontecem rodas de conversas para responder perguntas sobre o céu", disse o físico. Ele acrescenta que quem tiver equipamento de observação também pode levar para o encontro.

Serviço:

Observando em Latitude 0°
Dia: 31 de agosto
Hora: 19h30
Local: Museu Sacaca (Avenida Feliciano Coelho, número 1509, bairro Trem)
Entrada franca


quinta-feira, agosto 21, 2014

A origem de algumas expressões da Língua Portuguesa

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“Tirar o cavalo da chuva”

No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol.

Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

“Pensando na morte da bezerra”

A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados.

Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

"Guardar a sete chaves"

No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú, que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. 
Portanto, eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico, atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” pra designar algo muito bem guardado.

“Da pá virada”

A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada, que foi logo associada ao homem vagabundo, irresponsável, parasita.

Conheço muitos “pás viradas” que nem pensam em desvirar.

“Dar com os burros n'água”

A expressão "dar com os burros n'água" surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul a Sudeste sobre burros e mulas.

O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados.

Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

“À beça”

A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas. A expressão significa o mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa.

"OK"

A expressão inglesa “OK” (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa “0 killed” (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo “OK”.

"O pior cego é o que não quer ver"

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar, ficou horrorizado com o mundo que via.

Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver.

“Rasgar seda”

A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa”.

“Onde Judas perdeu as botas”

Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas.

Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição.

Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível. 

"Motorista barbeiro"

No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc., e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas.

A partir daí, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, mas a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira..

"Para inglês ver"

A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas normas eram criadas apenas “pra inglês ver”. Daí surgiu o termo.

"Vai tomar banho"

Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja.

Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios.

Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que eles fossem “tomar banho”.

“Anda à toa”

Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.

A origem da expressão "NHENHENHÉM"

– Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

30 dicas para escrever bem (contribuição do @tagahasoares)

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Texto do professor João Pedro, da Unicamp

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??... então. 
9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.  10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".(Eu, mas tenho ideias próprias ).  
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-Ias-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem  sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-Ia nos seus diversos componentes de forma a torná-Ias compreensíveis, o  que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que  devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar tchê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar. já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo  todo sem parar.

*Meus erros frequentes foram negritados. 
*O texto é uma contribuição do amigo jornalista Tãgaha Soares.

segunda-feira, agosto 04, 2014

Ficar ocupado é o segredo da felicidade

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Não é que o tal ditado “mente vazia, oficina do diabo” faz sentido? E agora tem até comprovação científica. Mas só vale se a tarefa não for estressante, se você tiver o dia cheio, mas não se sentir pressionado pelo tempo.

Pois é, você precisa saber usar o tempo a seu favor. O segredo é ocupá-lo com tarefas que não te atormentem – pelo menos quando der. Se conseguir, aí vai entrar pro time das pessoas felizes, como as que fizeram parte da pesquisa de John Robinson, um sociólogo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Depois de analisar uma série de estudos sobre pressão, felicidade e atividades diárias, ele percebeu que as pessoas mais felizes eram aquelas que viviam com o dia cheio, mas que faziam as coisas com calma, sem pressão. Não é pra menos, já viu o tédio deixar alguém feliz? E a pressa? Não dá.

Nenhum dos participantes teve de especificar como ocupava as horas do dia, mas outra pesquisa, de dois americanos da Universidade de Harvard, tratou de investigar isso. Eles pediram a 2.250 voluntários para contarem, em determinadas horas do dia, o que estavam fazendo, como se sentiam, e se estavam compenetrados ou com a cabeça em outros pensamentos. E os ocupados eram os mais felizes – mas só quando estavam absortos na atividade, sem pensar em nada além daquilo.

“A mente humana é dispersa. E uma mente dispersa é uma mente triste. A habilidade de pensar no que não está acontecendo é uma conquista cognitiva que tem um custo emocional”, diz o estudo. É, o negócio é manter o foco e silenciar  a mente.

E aí, conhece alguma coisa que prenda tanto assim sua atenção? E você fica mesmo mais feliz quando faz isso?

Meu comentário: Estar de folga é bom, mas ficar sempre sem fazer nada é horrível. Mesmo que, vez ou outra, eu reclame do meu trampo (odeio me queixar de qualquer coisa), amo meu trabalho. Realmente trabalhar nos ajuda a combater eventuais tristezas. Bora trampar e sermos felizes. Uma ótima semana pra todos nós! 


quarta-feira, janeiro 22, 2014

Hoje rola palestra sobre Ufologia na Biblioteca Elcy Lacerda

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sexta-feira, novembro 15, 2013

Auster, Coetzee e a cultura do ler (Por Yurgel Caldas)

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Ontem (14), no Museu de História Natural e Ciência de Lisboa, houve um encontro entre dois grandes escritores, que vieram à cidade por ocasião do Lisbon & Estoril Film Festival (um festival de cinema muito badalado por essas bandas do Mediterrâneo). No anfiteatro superlotado (afinal, minhas suspeitas de overbooking estavam confirmadas já no hall do Museu, de onde víamos passar J. M. Coetzee [Nobel de Literatura em 2003] e Paul Auster [romancista e roteirista de cinema]), o sul-africano e o norte-americano promoviam o livro Here and Now: Letters (2008-2011), lançado em março deste ano pela editora norte-americana Viking Adult, que trata da amizade epistolar entre os dois autores. 

Mas não foi exatamente as figuras sóbrias e límpidas dos renomados autores o ponto mais importante da noite, senão aquilo a que estou chamando de cultura do ler, que se expressa no esforço (e isso não é, afinal, um esforço) de sair de sua casa ou do trabalho, dirigir-se ao Museu, comprar um bilhete a dois euros, estar presente no anfiteatro para ouvir trechos da correspondência entre dois autores, na voz dos mesmos. E digo que a cultura do ler não se expressa somente em eventos literários, como foi o caso do encontro de ontem, mas nos transportes públicos, na praça, no café, nos bares. É comum ver pessoas em situações, que diríamos desfavoráveis à prática da leitura, com livros na mão (e lendo) até chegar a estação de descida, até chegar o café, até a vinda do namorado, até o cachorro terminar de brincar. 

Em tempos de um mundo em que a Literatura é a primeira a ser abandonada do navio num naufrágio (e, cá pra nós, nem sei se ela chega a embarcar); em tempos de austeridade econômica global, de uma sociedade cada vez menos humana, é grandioso ver e ouvir Paul Auster e J. M. Coetzee. Mas me espanta ainda mais ver pessoas circulando com livros pela cidade. 

P.s.: eu gostaria muito de enviar uma foto dos autores, mas foi expressamente proibido o registro de imagens no evento.

Yurgel Caldas, professor do Curso de Letras da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

sexta-feira, outubro 18, 2013

HOJE ACONTECERÁ O ÚLTIMO ECLIPSE LUNAR!

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O último eclipse lunar deste ano terá lugar na noite de 18 para 19 de outubro. Ele não será completo, mas penumbral – a Lua vai desaparecer apenas em 0,79 de seu diâmetro.

 Durante um eclipse a Lua não desaparece completamente, mas torna-se vermelha escura. Isto se explica pelo fato de que a Lua, mesmo em fase de eclipse total, continua iluminada. Os raios do sol que passam tangencialmente à superfície da Terra se espalham na atmosfera do nosso planeta e por isso atingem parcialmente a Lua.

O eclipse poderá ser visto em qualquer parte do território da Rússia com exceção da região do Extremo Oriente, porque nessa hora lá já será manhã. Além disso, poderão admirar o eclipse os habitantes da América do Sul e do Norte, da África, da Ásia e da Europa.


*Dica do amigo Ricardo Ribeiro.

quarta-feira, setembro 11, 2013

11 de setembro: A TORRE E O DRAGÃO DA CONTEMPORANEIDADE

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“Quando o Terror chegar (e ninguém nega que ele chegará)/ degradando, exaltando/ quando a terra tremer/ e as montanhas se desmoronarem/ convertidas em pó disperso,/ então serás três grupos – Companheiros da Direita, Companheiros da Esquerda e os Vencedores (“Alcorão”. LVI, 1-55).

Por certo os prédios do World Trade Center não foram inspirados nos zigurates mesopotâmicos, que por sua vez inspiraram a torre de Babel. Os zigurates eram construções que simbolizavam a pretensão dos homens em igualar-se aos deuses, e que se imaginavam capazes de subir ao céu por meios materiais. Algumas dessas construções chegavam a cem metros de altura, elevando-se em até sete patamares cada vez mais estreitos. Elas facilitariam tanto a descida dos deuses à terra como a subida dos homens ao Céu. O simbolismo do zigurate tem relação com a montanha onde o peregrino que nela sobe busca a purificação espiritual gradual até encontrar a luz.

A torre de Babel foi construída com betume e tijolo cozido, mas apesar da aparente fragilidade sua fundação prolongava-se solo adentro, representando ainda a união de três “mundos”: Céu, Terra e Mundo Subterrâneo. Babel é a “Porta do Céu”, talvez a maior entre as tantas torres que dominavam as cidades babilônicas. Como eram sinais de politeísmo foram condenadas pelo monoteísmo hebraico. E foi Jeová, que a partir daí acabou com a uniformidade universal da língua dos homens, para confundi-los e dispersa-los no espaço, formando o caos da comunicação entre eles.

A Nova Iorque cosmopolita que abrigava o World Trade Center absorvia diariamente milhões de frases em centenas de idiomas, embora nas famosas torres gêmeas a linguagem prevalecedora tenha sido sempre a dos computadores vorazes, a do dinheiro e a do poder.
Nessa ótica, Babel existia na modernidade substituindo a necessidade de buscar o divino pela procura do poder incomensurável, aquele que decide a vida de milhões de seres humanos do planeta, no simples digitar de códigos num teclado de computador.

Os tristes episódios que marcaram a vida americana pelo terrorismo em 11 de setembro não só representam uma assumida “morte” simbólica do capitalismo e do poder bélico universal, como também apontam para uma espécie de tentativa de “frear” ações heréticas do ocidente em que tentam “igualar-se” a Deus, quando o homem ocidental constrói para a infinitude do Céu.


Como cada moeda tem duas faces, o outro lado da destruição das torres é a arma que a destruiu: o avião. Para Jung, nos sonhos dos homens contemporâneos os aviões substituem os animais fabulosos e os monstros dos tempos remotos. O avião pode ser o Pégaso, o cavalo alado dos mitos gregos que está relacionado à água e cuja significação simbólica leva em conta no seu eixo interpretativo ser “a nuvem portadora da fonte fecunda”.

O avião, ao decolar (no sonho), conduz ao êxtase, à “la petite mort”, antiga expressão coloquial que as mulheres usavam para o “orgasmo total”. Entre tantos aspectos analíticos, digamos, bastante complexos, o avião elevando-se também se assemelha ao comportamento da vida, sua aventura iniciática, tendo ou não carga ou combustível e mesmo ao chocar-se com outro avião ou obstáculo.. Nesse caso a análise revela tendências opostas ou choque de contrários. É Dialética, é ideologia povoando o inconsciente e o significado do “sonho”, registrado na memória histórica dos homens.

O avião, por pertencer ao domínio do ar, pertence ao domínio das idéias, do espírito e do pensamento. Quem nele vai pertence a Terra (Matéria) e quer se lançar em sonho ao Céu (Espírito). Ele tem a força materializada no elemento ar.

O avião é um dragão.O dragão é o guardião dos tesouros ocultos.Como símbolo do mal e das tendências demoníacas identifica-se com a serpente. Na realidade é um símbolo ambivalente. Para a doutrina hindu ele é o Princípio. Produz o soma, que é a bebida da imortalidade. Para os chineses os dragões voadores são Montaria de Imortais, eles os elevam até o Céu. É, ainda, associado ao raio (cospe fogo) e à fertilidade (traz a chuva), trata das funções e ritmos da vida que garantem ordem e prosperidade. Enquanto relâmpago simboliza o espírito e o esclarecimento da inteligência: é a fonte da verdade. Quando é raio desencadeado representa a cólera de Deus, a punição, o castigo, a autoridade ultrajada: é o justiceiro.

Obviamente que o fato ocorrido nos EUA. proporcionou uma grande soma de interpretações. Não é demais juntar a elas mais uma informação para se somar aos motivos gerais que moveram os suicidas na destruição do WTC e do Pentágono. É bem verdade que o mundo ainda está atônito com o acontecimento. Quem sabe um dragão não está imbricado nessa história, posto que faz parte de todas as culturas e religiões conhecidas, aparecendo das mais variadas formas, inclusive no materialismo dialético, simbolizando a luta de classes.

A torre foi destruída, mas o dragão é feito do elemento ar. Pode ressurgir. Do mesmo modo a nação atingida e suas aliadas também ousarão quando vestirem a armadura e a lança de São Jorge na eterna luta do bem contra o mal.

Texto de Fenando Canto. O escrito também faz parte do livro de crônicas “Adoradores do Sol”, Ed. Scortecci, 2010.

terça-feira, setembro 03, 2013

DEUS COM QUATRO LETRAS (*)

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A palavra “Deus” tem a particularidade de se escrever apenas com quatro letras na maioria dos idiomas conhecidos. Vejam alguns:

Em Português – Deus
Em Francês – Dieu
Em Alemão – Gott
Em Assírio – Adat
Germano – Godt
Árabe – Alah
Sânscrito – Dova
Espanhol – Dios
Grego – Toos
Japonês – Shin
Hindu – Hakk
Egípcio – Amon

(*) Texto publicado no jornal “O Arte Cultor”, Macapá-AP, Ano I, nº 003, 2001.


sábado, agosto 17, 2013

QUASE FAMOSOS - UMA HISTÓRIA DE AMOR VERDADEIRO

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                                                                                            Por André Mont'Alverne

Neste filme, o diretor Cameron Crowe apropria-se de uma cena rock and roll, assim como havia feito com o grunge de Seattle em "Singles - Vida de Solteiro", para embalar sua historia de amor. 


A diferença é que aqui as coisas são verdadeiras. Quase Famosos é praticamente um filme autobiográfico. Cameron Crowe foi de fato o jornalista prodígio que cobriu uma turnê do Led Zeppelin, ainda na adolescência, para a revista Rolling Stone.


Estamos em 1973 e William Miller, o alter-ego de Crowe na tela, (interpretado pelo estreante Patrick Fugit) tem apenas 15 anos. O rock manda no mundo. David Bowie é um mito que veio do espaço. Lou Reed largou o Velvet Underground e começou a caminhar no lado selvagem da sua carreira solo. Neil Young deixou o Buffalo Springfield para dedicar-se também a carreira solo e começou a brincar com os amigos David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash.

Imagine Black Sabbath, The Who, Led Zeppelin e Pink Floyd no auge, lançando seus melhores trabalhos. Naquele tempo os Deuses andavam sobre a Terra e um garoto rabiscava textos sobre música em um pequeno jornal de San Diego, até conhecer Lester Bangs que é só o cara mais genial que escreveu sobre música em todos os tempos e naquela ocasião editava a Cream Magazine. 


No filme Lester Bangs, (interpretado pelo ótimo Phillip Seymour Hoffman), aparece como mentor do garoto, sempre lhe dando muitos conselhos como: "As bandas irão te usar, irão te apresentar garotas, irão te dar drogas, tudo para que você fale bem delas, por isso, ao escrever sobre uma banda seja honesto e impiedoso".


Depois de ser surpreendido por um telefonema de Ben Fong-Torres (o mais famoso editor da mais famosa revista pop de todos os tempos) dizendo que quer uma matéria sobre uma banda nova, William embarca no mundo de "sexo, drogas e rock and roll" com a banda fictícia Stillwater, para desespero da sua mãe, numa interpretação sensacional de Frances McDormand. A pauta da matéria foi acertada via telefone, sendo assim, o editor não percebe que está conversando com um menino de 15 anos.

Sua missão era escrever uma matéria para a revista Rolling Stone: 3000 mil palavras sobre o Stillwater (o grupo é uma mistura de Led Zeppelin, Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd e The Who). No filme, somos apresentados ao mundo do rock and roll juntos com William.


 Antes, ele era apenas um fã que ouvia e venerava as bandas de rock e desconhecia o conturbado mundo de turnês, mentiras e brigas de egos. A época era de exageros, orgias, drogas e álcool, mas aqui, com os olhos do garoto, vemos uma versão romanceada disso tudo. Nada é escondido no filme, mas tudo é mostrado com uma sutileza que atinge a medida certa, o que é uma característica marcante de Cameron Crowe.


William é doce demais para o rock. E se apaixona logo pela garota mais bonita que aparece, Penny Lane, groupie que acompanha bandas, interpretada por Kate Hudson, com conhecimento da causa, já que ela tem uma certa inclinação a se envolver com músicos - depois de se separar de Chris Robinson, líder do Black Crowes, atualmente namora o Matt Bellamy, do Muse.


É difícil não fechar os olhos e se colocar na posição de William. Principalmente para um fã de música, como eu, e para aqueles que, como diz a groupie Sapphire (Fairuza Balk), gostam tanto de uma música ou de uma banda a ponto de doer. "Quase Famosos" é um parente próximo de "Alta Fidelidade" que se aproxima mais de quem faz música, ou pelo menos de quem faz parte da indústria musical: bandas, empresários, jornalistas e, é claro, os fãs.

Dizem por aí que tudo sempre acontece por causa de uma garota, Penny Lane trouxe para Kate Hudson um lugar de destaque na minha - prateleira-de-coisas-boas-que-duram-para-sempre - por mais que a atriz agora amargue personagens fraquíssimos e veja sua carreira reduzida a comédias bestas, ela sempre será a eterna Penny Lane.

Quase Famosos funciona como uma máquina do tempo para as pessoas que se dizem órfãos dos anos 60 e 70, embora nunca tenham vivido a época propriamente dita, ou seja, quando estiver deprimido, não leve a sério, visite seus amigos e veja esse filme. Quase Famosos é, na verdade, um filme de grandes amizades, amores inesquecíveis e muito, muito do verdadeiro e puro rock and roll.


Aqui algumas curiosidades deste filme magnífico:

Este filme ganhou o Oscar de melhor roteiro, Grammy de melhor trilha sonora e dois Globos de Ouro: melhor filme e melhor atriz coadjuvante para Kate Hudson.

- O estreante Patrick Fugit foi escolhido após um teste com 200 adolescentes.

- O papel de Russell Hammond foi escrito para Brad Pitt, que depois de gravar quase a metade do filme, não agradou Crowe e foi substituído.

O papel de Penny Lane foi escrito para Sarah Polley. A atriz estava ocupada com um projeto pessoal e Kate Hudson, que ficou com personagem que seria de Polley, havia sido escalada para viver a irmã de William.

- Para parecer uma banda real, os atores que viveram os integrantes da Stillwater ensaiavam quatro horas toda noite. Os ensaios duraram seis semanas.
- Peter Frampton ensinou a Billy Crudup como tocar guitarra durante as filmagens e as músicas da banda Stillwater foram escritas por Peter Frampton.

- A mão que escreve em uma folha na cena inicial do filme pertence a Cameron Crowe. O episódio da discussão no avião é inspirado numa viagem que Cameron Crowe fez com o The Who.

- A cena inicial é uma homenagem ao drama O Sol é Para Todos (1962), um dos filmes preferidos de Cameron Crowe. Depois da sequência, William Miller e sua mãe começam a discutir sobre o protagonista do filme.

- Quando Russell Hammond declara: “Eu sou um deus dourado!”, ele faz uma menção a Robert Plant, da banda Led Zeppelin, que disse a mesma frase na sacada de um hotel na Sunset Strip. A diferença é que Plant estava sóbrio, Hammond não.

- Na cena em que o avião sofre uma turbulência, Russell começa a cantar “Peggy Sue”. A ação é uma referência a Buddy Holly, que morreu devido um acidente de avião enquanto estava em uma turnê. Depois, Russell muda de música, ele canta “Whoa baby!”, referência a The Big Bopper, que também morreu em um acidente de avião.

- Kirsten Dunst quase ficou com o papel de Penny Lane. Cameron Crowe disse que escolheu Hudson por ela transmitir a sensação de `espírito livre´. O diretor, cumprindo uma promessa que havia feito para Dunst, dirigiu um filme estrelado pela atriz em 2005, que é "Tudo Acontece em Elizabethtown".


- A mãe de Cameron Crowe fez uma ponta no longa. O cineasta tentou manter ela distante de Frances McDormand, já que a atriz interpreta uma personagem baseada em sua mãe. Assim que Crowe deixou o set por alguns minutos no primeiro dia de filmagens, McDormand e sua mãe estavam lanchando juntas.


Assistam ao trailer do filme: 



sexta-feira, agosto 16, 2013

Cassettemania? Quase…

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Fita cassete não é como o vinil, que passa por uma ressurreição cada vez mais massiva. Tirando um ou outro herói da resistência que ainda se digna a lançar material no velho formato, a verdade é que as bichinhas viraram mais fetiche-estético-saudosista que qualquer outra coisa – ou você ainda tem onde ouvir uma em casa? Pra não deixar a imagem das K7 morrer (já reparou que as gerações mais novas não vão saber pro que elas serviram um dia?), o que mais tem por aí é acessório relembrando o formato do nosso antigo meio de ouvir música.

Das batidíssimas capinhas de iPhone ao capacho da minha casa, passando por bolsas, hubs USB, porta-durex e sites que reproduzem digitalmente as boas e velhas mixtapes, as fitinhas servem de inspiração pra tudo. Até pra essa mesa do cacete (trocadilho intencional) que o Márcio me mostrou dia desses. Cada modelo da Taybles é feito à mão com madeira e rótulo customizável e os preços variam de US$ 1.199 a US$ 1.499, dependendo do tamanho (ouch!). Num é um amor?


terça-feira, julho 30, 2013

Hoje rola Palestra de Apresentação do Curso de Filosofia Prática, na Nova Acrópole

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Tema: O Mito da Caverna: Realidade X Ilusão. Um mito de 2500 anos que até hoje desperta nossa curiosidade. O que Platão quis representar com esta caverna e seus personagens? Podemos tirar dele reflexões que nos ajudem a entender os problemas do mundo atual?

Palestra: Apresentação do Curso de Filosofia Prática
Local: Sede Nova Acrópole Macapá, na Rua Odilardo Silva, 1013. Próximo aoCurso Madeira. Macapá – AP
Data: 30/07/2013 (Hoje)
Horário: 20h
ENTRADA FRANCA

NOVA ACRÓPOLE MACAPÁ
(96) 8133-9163  |  (96) 9131-4398
www.acropole.org.br

Mais informações:
Cleverson Barata: 8133-9163 ou 9131-4391, cs.cleverson@gmail.com
Camila Bentes: 8123-8240, acropolemacapa@gmail.com

domingo, junho 23, 2013

Entenda a PEC 37

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Em debate no Congresso, a Proposta de Emenda Constitucional 37/2011, que estabelece a exclusividade das investigação criminal às polícias federal e civis virou alvo, nas últimas semanas, dos protestos pelo País. A proposta, se aprovada, esvaziaria o poder de órgãos como o Ministério Público.

A PEC 37 sugere incluir um novo parágrafo ao Artigo 144 da Constituição Federal, que trata da segurança pública. O item adicional traria a seguinte redação: “A apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo, incumbem privativamente às polícias federal e civis dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente”.

A justificativa apresentada pelo autor da PEC, deputado Lourival Mendes (PT do B-MA), ressalta que não há prejuízo para a investigação criminal em comissões parlamentares de inquérito (CPIs), o que é garantido por um outro dispositivo presente na Carta Magna. Porém, ele evoca um livro do desembargador Alberto José Tavares da Silva, para quem “a investigação de crimes não está incluída no círculo das competências legais do Ministério Público” – que desempenha o papel de acusação no processo –, levando diversas ações judiciais a serem questionadas nos tribunais superiores.

Constituição. De acordo com o professor Ives Gandra da Silva Martins, constitucionalista e tributarista, o Artigo 144 da Constituição é bastante claro em não elencar o Ministério Público como um deles. Ele explica, segundo o site Consultor Jurídico, que o texto constitucional não prevê que o MP possa fazer a apuração dos fatos. A Constituição, portanto, atribuiria esse poder apenas às polícias judiciárias.

O MP teria o direito, portanto, de requisitar às autoridades policiais investigações (previsto no artigo 129 da Constituição), assim como a instauração de inquérito policial aos delegados.

Diante da tramitação da PEC 37 na Câmara dos Deputados, diversas organizações lançaram a campanha “Brasil contra a impunidade”, acusando a proposta de beneficiar criminosos. Utilizando dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o grupo alega que apenas 11% das ocorrências sobre crimes comuns são convertidos em investigações policiais e, no caso dos homicídios, somente 8% são apurados.

O grupo afirma ainda, de acordo com o site da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que graças ao trabalho do Ministério Público Federal foram propostas 15 mil ações penais entre 2010 e 2013. Com base na falta de investimento nas polícias judiciária, eles alegam também que se tais casos fossem repassadas a elas, os crimes correriam o risco de prescrever se as investigações não fossem concluídas a tempo.

Participam da campanha a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP), o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), a Associação Nacional do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT) e a Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM).

Aperfeiçoamento

No final do mês passado, o relator da PEC 37, deputado Fabio Trad (PMDB/MS), ressaltou que um grupo de trabalho havia sido formado para aperfeiçoar a proposta. Os integrantes concordavam que o MP deveria ter a prerrogativa de investigar casos específicos e que faltaria definir e regulamentar de que forma seria essa atuação.

No entanto, integrantes do Ministério Público Federal (MPF) rejeitaram no início da semana a proposta alternativa apresentada. Segundo o presidente da ANPR, Alexandre Camanho, mesmo com a flexibilização, “qualquer das duas redações da PEC 37 tornariam a investigação por parte do MP inexequível”.

Na quinta-feira 20, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), adiou por falta de acordo entre procuradores e delegados a votação da PEC 37 marcada para o próximo dia 26.

A aprovação da proposta de emenda constitucional que limita o poder de investigação do Ministério Público é alvo de protestos neste sábado em São Paulo.

*Com informações do portal da EBC