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sexta-feira, agosto 29, 2014

Pesquisadores estudam criar parque arqueológico com visitas monitoradas no Amapá

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Por Paulo Monteiro, do Portal Amazônia


As grandes pedras fincadas no chão do interior do Amapá formam círculos de informações e mistérios que recontam a história da civilização através da arqueologia. Os megalitos do município de Calçoene (distante 360 quilômetros da capital) serão a principal atração do primeiro parque arqueológico com visitas monitoradas do Brasil. O projeto executivo está a cargo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e deverá ser executado no prazo de dois anos.

De acordo com o arqueólogo João Saldanha, a ideia é criar um espaço para democratizar a pesquisa científica através da acessibilidade das informações sobre a história da evolução humana. “Esse será o primeiro parque arqueológico desse modelo no Brasil. Queremos oferecer um parque e um museu com visitas monitoradas com o apoio de guias para que as pessoas possam conhecer mais e melhor sobre os sítios arqueológicos. O Amapá é considerado uma das maiores expressões arqueológicas mais importantes da América Latina”, afirmou o pesquisador à  reportagem do Portal Amazônia.

Observatório astronômico indígena

As grandes pedras podem ter sido usadas como observatório astronômico pré-colombiano por povos indígenas que habitaram a região. Em volta da estrutura foram encontrados, ainda, sítios arqueológicos que guardavam poços funerários. A construção lembra o santuário de Stonehenge- um dos principais monumentos arquitetônicos do período Neolítico, a fase final da Pré-História, na Inglaterra.

Também conhecido como ‘Stonehenge do Amapá’, as 127 rochas, algumas chegam a três metros de altura, revelam que o monumento era usado para marcar o solstício. Um dos blocos de pedra do círculo megalítico está posicionado de maneira que o Sol, durante o solstício de inverno do Hemisfério Norte, em 21 de dezembro, fica sobre o bloco, eliminando a sombra. A posição desta rocha diminui o tempo da projeção de sombras durante todo o dia no local. o alinhamento de um dos blocos de rocha com o solstício de dezembro levou os pesquisadores a acreditarem que o local tenha sido um observatório astronômico, com resquícios de uma cultura avançada.

Potencial arqueológico

Em julho de 2014, arqueólogos encontraram urnas funerárias inéditas no Brasil, na comunidade de Curiaú Mirim (distante oito quilômetros de Macapá). Em um único poço, foram encontradas urnas funerárias com três câmaras laterais com cerâmicas que guardavam restos mortais. A descoberta comprovou a relação entre diferentes grupos da Região Amazônica. O material está sendo estudado pelo Centro de Pesquisas Arqueológicas (CPArq) do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), e deverá ser concluído em dois anos.


quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Laboratório de Arqueologia Peter Hilbert inicia rodada de Seminários Internos

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A equipe do Núcleo de Pesquisa Arqueológica do (Iepa) reuniu-se esta manhã para a realização do I Seminário Interno do ano de 2014. Este tipo de seminário visa congregar os colaboradores do Núcleo, com a apresentação - a cada sessão - da pesquisa de um dos membros da equipe. Com isso, o trabalho de cada um é partilhado com os outros colegas, contribuindo para fortalecer o diálogo e criando um ambiente de debate, desde questões metodológicas até às interpretações realizadas.

Os Seminários Internos tem como objetivo incentivar a troca entre os colaboradores e ajudar no fortalecimento científico do grupo, com a partilha de experiências e conhecimentos.

Esta primeira sessão foi apresentada pelo Prof. Esp. Alan Silva Nazaré, e foi intitulada "Interpretações preliminares sobre o sítio Curiaú Mirim: Estudo de caso da cerâmica". 

Com foco na análise cerâmica da coleção de um sítio arqueológico localizado na zona norte de Macapá (bairro Curiaú Mirim), Alan mostrou um excelente trabalho de descrição de um conjunto com mais de duzentas vasilhas. Este sítio, escavado pelo IEPA em 2011, apresentou um conjunto rico de estruturas arqueológicas, com deposições funerárias e outros arranjos. Um dos temas de pesquisa que Alan está desenvolvendo com este trabalho é a presença de cerâmicas com características de variadas fases arqueológicas, como Koriabo, Marajoara, Mazagão e Caviana. Contextos arqueológicos como este devem contribuir para entendermos melhor como diferentes grupos indígenas interagiram nesta região no passado mais remoto.

O próximo seminário será apresentado pelo pesquisador Msc. Kleber de Oliveira Souza, que vai apresentar resultados da sua pesquisa de mestrado, defendido em 2013 no PPGA/UFPA.