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domingo, janeiro 19, 2014

Karma Police - Tocado pelas mãos de Deus

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Por André Mont'Alverne

Para começar, tenho que dizer que é difícil falar somente de uma música do álbum OK Computer. É um disco em que as músicas parecem estar conectadas de alguma forma, como um elo, e devem ser apreciadas na íntegra, ou seja, aperte o play na primeira faixa "Airbag" e esqueça de tudo, até que ele acabe por ele mesmo na última música "The Tourist".

Grande parte do meu gosto por música veio quando compreendi esse trabalho. Passei a entender a música além do divertimento, além do que o som proporcionava. Daí pra frente, entendi melhor o que era genialidade e o que um artista era capaz de fazer com a música. Ainda é difícil de classificar essa obra prima do Radiohead. Isso é rock, isso é pop e ainda é mais um monte de coisas.

A Lei do Karma, de acordo com o espiritismo, é aquela lei que ajusta sabiamente o efeito a sua causa. Todo o bem ou mal que tenhamos feito numa vida virá trazer-nos consequências boas ou más para esta vida ou próximas existências. Alguns ditados bastante conhecidos explicam melhor o karma como: "o que semeia raios colhe tempestades", "com a vara com que medes serás medido", "olho por olho, dente por dente", só para citar alguns.

Na quinta faixa do disco se encontra a música Karma Police. E a impressão que dá nesse momento, é que o piano e o violão foram feitos um para o outro, eles não se desgrudam até o final da canção, que é acompanhado por um compasso pesado de bateria, criando assim uma melodia sublime.

Na letra da canção, Thom Yorke canta como uma pessoa atormentada pelos objetos do karma, da perseguição, da necessidade de parecer ser, de ser alguém na sociedade. E, indiretamente, ele fala sobre a necessidade de se ter um visual diferente, de tentar ser diferente. Segundo a banda, a Polícia Cármica é uma expressão que eles usavam, em tom de brincadeira, quando alguém cometia algum erro durante uma gravação ou ensaio. 

No clipe de Karma Police, Thom Yorke é o algoz, e de dentro de seu carro, persegue um homem cruelmente. Entretanto, ele está no banco de traseiro e a câmera funciona como se ela fosse os olhos do motorista, que volta e meia, olha para trás, como quem está pedindo a confirmação da perseguição. O final desse clipe dá ao telespectador uma sensação desesperadora e a sonoridade com sintetizadores contribui para esse clima.  

O Radiohead é uma das maiores bandas do nosso e de todos os tempos, e Karma Police foi o primeiro single de um dos melhores álbuns já gravados. Sem essa canção, talvez não existissem muitas outras músicas boas de várias bandas que devem a sua existência bem sucedida ao Radiohead como o Coldplay, Travis e Muse. 

Eles foram pioneiros do resurgimento de boas músicas que já eram raras no final da década de 90 com seus Limp Bizkit`s, Korn`s e Kid Rock`s. Por isso tudo e mais um pouco, Karma Police é um clássico intocável e merece fazer parte de qualquer lista de melhores canções da história da música.

domingo, novembro 10, 2013

Losing My Religion - Perdendo minha fé (texto de André MontAlverne)

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Por André MontAlverne

Há canções que nos marcam para sempre, que penetram na nossa pele e ficam eternamente tatuadas na nossa alma. Há canções que não se esquecem. Nunca. Talvez por estarem intimamente ligadas a momentos importantes, acontecimentos marcantes, sensações únicas e emoções intensas. "LOSING MY RELIGION", do R.E.M., é uma dessas canções.

A canção Losing My Religion foi lançada no dia 19 de Fevereiro de 1991, nos Estados Unidos (EUA), como a segunda faixa do excelente álbum "Out Of Time". Esta é a música de maior sucesso na história da banda e foi vencedora de dois prêmios Grammy.

O álbum "Out of Time" projetou definitivamente a banda para o mundo e carrega toda a carga folk que se tornaria a característica principal do REM, com o uso de bandolins, órgãos, percussões e outros instrumentos acústicos.

Losing My Religion foi o "carro chefe" do álbum, e o sucesso da canção, inicialmente, se deu na mesma medida em que ela foi criticada por todos os lados. Pelos fundamentalistas de todos os credos, que não haviam entendido a verdadeira mensagem da música.

“Losing My Religion” é uma expressão usada no norte dos Estados Unidos como sinônimo de perder a esperança, especialmente nas pessoas. Michael Stipe (Lider do R.E.M.) declarou, em entrevista à revista Rolling Stone americana, que a música não trata de religião, mas sim de obsessão.

Losing My Religion, que segundo Michael Stipe foi composta em apenas oito minutos, sustenta boa parte de seu atrativo no inconfundível bandolim que o guitarrista Peter Buck estudava na época.

Com o estrondoso sucesso a banda optou por um caminho diferente e resolveu não fazer turnê para esse disco, procurando evitar os efeitos desgastantes da turnê do álbum anterior (Green).

A escolha da banda foi fazer apenas apresentações esporádicas em rádios e um acústico para a MTV. Fato este que atraiu a admiração de kurt Cobain, não tanto pela influência musical, mas pelo modo como o grupo conseguiu resistir ao furacão de se tornar um sucesso internacional com Losing My Religion sem que seu trabalho musical se diluísse e nem permitindo que sua imagem se deteriorasse em modismos.

Mas mesmo assim, o a avalanche do sucesso era inevitável e Michael Stipe chegou a afirmar numa entrevista que só percebeu o impacto de "Out Of Time" quando perdeu a tranquilidade de passear por Nova York sem ser reconhecido.

Outro grande atrativo de Losing My Religion está no seu videoclipe, que difere da estética usual e na representação dos seus integrantes de modo inusitado. As cenas são inspiradas pelos quadros do artista italiano do século XVI, Caravaggio.

Alguém pensa nestas imagens quando escuta a música? Certamente não, mas aí está o grande trunfo do clipe que poderia ser o de qualquer outro.Associar letra, som e imagem exige, sem dúvida, um esforço de fuga de obviedades. Como seria óbvio demais se aparecesse um rapaz virando a esquina no verso "That's me in the corner". Para mim, um videoclipe deve ir mais além disso e atribuir novas significações à música que por si só já é cheia de significados.

É o caso de Losing My Religion, no qual os integrantes da banda aparecem de três formas: Como operadores de iluminação, como personagens pertencentes ao imaginário religioso e sobre o "palco", no qual não somente cantam, como também atuam. Existe também um forte apelo gay nas imagens, também presente na obra do pintor. Inclusive há quem interprete a música como uma forma de “sair do armário”, ou seja, como se o narrador fosse um homossexual se assumindo como tal.

Eu nunca interpretei dessa maneira embora, reconheça a estética gay bastante óbvia nas imagens do vídeoclipe. Eu sempre ouvi e vi Losing My Religion como uma "canção-reza" que faz bem ouvir a qualquer hora e em qualquer ocasião.

Losing My Religion é, de fato, uma das melhores músicas dos R.E.M. e, já agora, permite-me a audácia de afirmar que é uma das melhores músicas dos últimos 20 anos. É viciante, contagiante, inesquecível. Este vídeo é clássico, e sem dúvida nenhuma um dos mais belos clipes de todos os tempos.


Losing My Religion (Perdendo Minha fé) - R.E.M.

Oh, a vida é maior
É maior do que você
E você não sou eu
Os caminhos por onde irei
A distância em seus olhos
Oh, não, eu falei demais
Eu causei tudo isso

Aquele sou eu no canto
Aquele sou eu no centro das atenções
Perdendo minha religião
Tentando me igualar a você
E eu não sei se eu consigo fazer isso
Oh, não, eu falei demais
Eu não disse o suficiente

Eu pensei ter ouvido você sorrir
Eu pensei ter ouvido você cantar
Eu acho que pensei ter visto você tentar

Cada sussurro
A cada hora acordado
Escolhendo minhas confissões
Tentando ficar de olho em você
Como um tolo magoado, perdido e cego
Oh, não, eu falei demais
Eu causei tudo isso

Considere isto
A dica do século
Considere isto
O deslize que me deixou
De joelhos, fracassado
E se todas essas fantasias
Se tornassem reais
Agora eu falei demais

Eu pensei ter ouvido você sorrir
Eu pensei ter ouvido você cantar
Eu acho que pensei ter visto você tentar

Mas aquilo foi apenas um sonho
Aquilo foi apenas um sonho

Aquele sou eu no canto
Aquele sou eu no centro das atenções
Perdendo minha religião
Tentando me igualar a você
E eu não sei se eu consigo fazer isso
Oh, não, eu falei demais
Eu não disse o suficiente

Eu pensei ter ouvido você sorrir
Eu pensei ter ouvido você cantar
Eu acho que pensei ter visto você tentar

Mas aquilo foi apenas um sonho
Tentar, chorar, por quê, tentar
Aquilo foi apenas um sonho
Apenas um sonho, apenas um sonho, sonho

sábado, setembro 21, 2013

Like a Rolling Stone - Tocados pelas mãos de Deus II

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                                                            Por André Mont'Alverne

Like a Rolling Stone é uma canção de rock and roll de 1965, escrita e gravada pelo cantor e compositor Bob Dylan. Ela representa, pela sua duração (6:09), musicalidade e estilo, uma das canções mais influentes desse artista inigualável, que hoje é uma lenda (ainda) viva.

A faixa de abertura do álbum "Highway 61 revisited", o sexto álbum do, até então, jovem da música folk, "Like a rolling stone" deu novos rumos para a poesia no rock, que até então era restrito aos temas "boys meets girl", "I love you" e "Let`s dance all night". Com ela, Bob Dylan estabeleceu uma mudança de rota que ele vinha tentando fazer há algum tempo, desde que conheceu durante uma turnê, a promissora cena roqueira Britânica que, com os Beatles na linha de frente, começava a ultrapassar as fronteiras da Grã-Bretanha para ganhar o mundo.

A melodia dessa música é como uma correria para contar uma história. Começa com uma batida seca na bateria e depois as letras tomam conta (Era uma vez...). Os versos cantados rápidos e perguntas com ar de deboche faz com que a música ganhe ritmo, mesmo quando ela é somente lida no papel, sem ouvir os instrumentos.

Diferente das letras diretas de protesto que Bob Dylan compôs até aquele momento, como "Blowin' in the wind" e "The times, they're are a changin'", o conteúdo dessa é ambíguo, e permite diferentes interpretações. Era uma narrativa inédita nas letras de rock naquele período.

Em uma análise superficial, a letra conta a história de uma esnobe da alta sociedade que vira indigente. Entretanto, há quem diga que se trata de uma referência a Edie Sedgwick, amiga de Andy Warhol, por quem Bob Dylan se apaixonou. Há também quem defenda a teoria de que o cantor está falando de si próprio, metaforicamente, quando a ideologia do sonho americano começava a cair por terra, com o assassinato do Presidente Kennedy e a Guerra do Vietnã.

O impacto mediante ao público e aos artistas da época foi imediato. Alguma coisa nova estava acontecendo, e nada mais seria como antes na música pop americana. Bruce Springsteen disse: "ela soava como se alguém tivesse aberto a porta de sua mente".

Essa música teve uma importância histórica tão grande que rendeu até um livro de 256 páginas: "Like a Rolling Stone: Bob Dylan na Encruzilhada", lançado pela Companhia das Letras, de autoria do historiador cultural e jornalista de rock Greil Marcus. Nesse livro se encontram várias curiosidades que cercam esta belíssima canção de rock, como a revolução que ela provocou nas rádios, que na época, se limitavam a tocar canções de no máximo 3 minutos, e da inspiração que Bob Dylan teve para criar essa música que, segundo ele mesmo (PASMEM!!), veio de "La bamba", de Richie Valens.

Em 2004, a revista Rolling Stone nomeou esta canção, como a melhor de todos os tempos e declarou: "Nenhuma outra canção pop confrontou e transformou tão completamente as regras comerciais e as convenções artísticas da sua época".

Já que tanto foi falado de "momento histórico", eu recomendo para quem não assistiu esse encontro, que aconteceu aqui mesmo, em terras brasileiras. Absorvam cada segundo, agora mesmo!

Like a Rolling Stone - Letra e Tradução

Once upon a time you dressed so fine
Era uma vez, você se vestia tão bem

You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
Jogava esmola aos mendigos em seu auge, não foi?

People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
As pessoas chamavam, dizendo “Cuidado boneca, você está pedindo pra cair”

You thought they were all kiddin' you.
Você achou que todos eles estavam brincando com você.

You used to laugh about everybody that was hangin' out.
Você costumava rir de todo mundo que ficava vadiando ao redor.

Now you don't talk so loud, now you don't seem so proud.
Agora você não fala tão alto, agora você não parece tão orgulhosa.

About having to be scrounging for your next meal.
De estar tendo que vasculhar pela sua próxima refeição.

(REFRÃO)

How does it feel?
Como se sente?

To be without a home.
Por estar sem um lar.

Like a complete unknown.
Como uma completa estranha.

Like a rolling stone?
Como uma pedra que rola?

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely.
Você freqüentou a melhor escola muito bem, Senhorita Solitária.

But you know you only used to get juiced in it.
Mas você sabe que você apenas ficava enchendo a cara lá.

And nobody has ever taught you how to live on the street.
E ninguém jamais lhe ensinou como viver nas ruas.

And now you find out you're gonna have to get used to it.
E agora você descobre que você vai ter que se acostumar com isso.

You said you'd never compromise.
Você disse que nunca tinha compromisso.

With the mystery tramp, but now you realize.
Com o vagabundo misterioso, mas agora você percebe.

He's not selling any alibis.
Que ele não está vendendo álibis.

As you stare into the vacuum of his eyes.
Enquanto você olha fixamente para o vácuo de seus olhos.

And ask him do you want to make a deal?
E o pergunta, você quer fazer um trato?

(REFRÃO)

How does it feel?
Como se sente?

To be without a home.
Por estar sem um lar.

Like a complete unknown.
Como uma completa estranha.

Like a rolling stone?
Como uma pedra que rola?

You never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns.
Você nunca se virou para ver as carrancas dos equilibristas e dos palhaços.

When they all did tricks for you
Enquanto todos eles faziam truques para você.

You never understood that it ain't no good.
Você jamais entendeu que isso não é bom.

You shouldn't let other people get your kicks for you.
Você não deveria deixar as outras pessoas se divertir no seu lugar.

You used to ride on the chrome horse with your diplomat.
Você antigamente cavalgava o cavalo cromado com seu diplomata.

Who carried on his shoulder a Siamese cat.
Que carregava em seu ombro um gato siamês

Ain't it hard when you discover that.
Não é difícil quando você descobre que

He really wasn't where it's at.
Ele realmente não era tudo que aparentava ser.

After he took from you everything he could steal.
Depois que ele levou de você tudo que podia roubar.

REFRÃO

Princess on the steeple and all the pretty people.
Princesa no campanário e todas as pessoas bonitas.

They're drinkin', thinkin' that they got it made.
Estão todas bebendo e pensando que estão por cima.

Exchanging all kinds of precious gifts and things.
Trocando presentes caros e coisas.

But you'd better lift your diamond ring, you'd better pawn it babe.
Mas é melhor você surrupiar o seu anel de brilhante é melhor você penhora-lo, baby.

You used to be so amused
Você antigamente era tão entretida

At Napoleon in rags and the language that he used
Com o Napoleão de trapos e a linguagem que ele usava

Go to him now, he calls you, you can't refuse
Vá para ele agora, ele te chama, você não pode recusar

When you got nothing, you got nothing to lose
Quando você não tem nada, você não tem nada a perder

You're invisible now, you got no secrets to conceal.
Você está invisível agora, você não tem mais segredos a ocultar

(REFRÃO)

How does it feel?
Como se sente?

To be without a home.
Por estar sem um lar.

Like a complete unknown.
Como uma completa estranha.

Like a rolling stone?
Como uma pedra que rola?

quarta-feira, julho 03, 2013

42 anos sem Jim Morrison (texto meu e de @AndrEverEnding )

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Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, morreu em 3 de julho de 1971, em Paris (FRA), de overdose. Quatro décadas depois da sua morte, Jim Morrison continua a mobilizar multidões e o cemitério parisiense do Père-Lachaise, onde está sepultado, voltou a ser o local escolhido por centenas de fãs para recordar o “Rei Lagarto”.

Sou apaixonado por Rock and Roll, assim como os meus amigos. Mas a melhor definição sobre Jim Morrison foi feita pelo meu brother André MontAlverne, leiam: 

O maior vocalista da historia do rock morreu há exatos 42 anos... se tivesse sobrevivido também já estaria morto. O estilo de vida de Jim Morrison jamais iria permitir que ele chegasse nos anos 80.

Jim tinha voz apaixonante que recitava uma poesia sombria com uma doçura inigualável. O cara viveu com o pé no acelerador de um carro desgovernado rumo ao abismo. 

 O velho, o bom e inesquecível Jim Morrison, o Deus do Rock, o Rei Lagarto. Sempre achei o Jim a mais perfeita representação de um astro do Rock. O cara era bonito, carismático, totalmente insano e com um talento que parecia ser um don divino.

Jim Morrison foi um dos caras mais fodas que andou nessa terra... e os seus gritos vão ecoar eternamente no universo.”

André Mont’Alverne

quinta-feira, novembro 08, 2012

TOCADOS PELAS MÃOS DE DEUS - WASTING LOVE

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                                                                                        Por André Mont’Alverne


"Wasting Love" é uma música da Banda de Heavy Metal Britânica Iron Maiden. É o terceiro single do disco "Fear Of The Dark" lançado em setembro de 1992. Este álbum foi o último trabalho a contar com Bruce Dickinson nos vocais até o retorno do vocalista, em 1999.


Considero “Fear Of The Dark” um álbum divisor de águas na carreira da banda por um motivo bem simples: foi com ele que o Iron Maiden teve o seu maior estouro comercial e chegou com tudo aos ouvidos daqueles apreciadores casuais de música. “Fear Of The Dark” possui cinco músicas. São elas: “Be Quick Or Be Dead”, “From Here To Eternity”, “Affraid To Shoot Strangers”, “Wasting Love” e a faixa título. Nenhuma delas apresenta o som, as características e o estilo que levaram o grupo às alturas nos anos oitenta, e qualquer fã, que não se deixe levar pela visão dogmática que a banda provoca em muitos, percebe isso facilmente.

 
O maior sucesso comercial da carreira do Iron Maiden, “Wasting Love” tocou até enjoar nas rádios, teve o seu videoclip veiculado à exaustão na MTV, fato inédito em todas as canções que o grupo gravou antes e depois. É nítida a influência de hard rock, lembrando o primeiro álbum solo de Bruce Dickinson, lançado alguns anos antes.

Em 1992, com a globalização ainda engatinhando aqui no Brasil, vivíamos em um período Pré-Grunge, onde o Hard Farofa de bandas como Bon Jovi, Guns´N´Roses, Poison, Skid Row e Europe ainda mandavam nas paradas. É neste contexto que o grupo redefiniu o Heavy Metal, criou e solidificou as diretrizes de todo um estilo, que precisava de mudanças e atualizações para encarar uma nova década.

"Wasting Love" extrapolou as fronteiras do Heavy Metal e caiu nos ouvidos da mídia musical em geral, no mundo inteiro. Trata-se de uma balada com peso, mas num estilo romântico, e por isso, os antigos fãs da banda normalmente estranham. Também é comum que muitas pessoas nem mesmo saibam que esta música é de uma banda de Heavy Metal.

A letra da canção aborda um tema bastante interessante: A desilusão e tortura de alguém que, mesmo reconhecendo que deveria ser mais honesto, mergulha na orgia desperdiçando o seu amor, sem nunca conseguir se realizar.
Embora a maioria dos fãs Iron Maiden desprezem esta música, por ela ser uma das poucas baladas da banda, senão a única. Ela possui ótimos riffs de guitarra e uma atmosfera extremamente sombria. A sincronia perfeita entre os instrumentos, a boa elaboração do solo de guitarra e a voz fantástica de Bruce Dickinson fazem desta música uma obra prima que atua como protagonista nessa longa história chamada Rock And Roll.

A diferença dessa música, em relação a maioria das outras canções do Iron, faz com que a banda normalmente decida não tocá-la em seus shows. Mas existem rumores de que "Wasting Love" voltará a ser tocada em alguns shows a partir da segunda parte da turnê do disco "The Final Frontier"que, por acaso, chegará até Bélem do Pará no próximo ano. Isso mesmo, do outro lado do rio. E mesmo que esse seja o maior rio do mundo, ele não conseguirá me afastar de estar presente, no dia primeiro de abril de 2011, nesse show.

Aí embaixo está o link do vídeo que foi um dos mais passados pela MTV em todos os tempos:


WASTING LOVE - DESPERDIÇANDO AMOR (Dickinson, Gers)

Maybe one day I'll be an honest man
Talvez um dia eu serei um homem honesto
Up till now I'm doing the best I can
Até agora estou fazendo o melhor que eu posso
Long roads, long days,
Longas estradas, longos dias,
of sunrise, to sunset
do nascer ao por do sol
Sunrise to sunset
Nascer ao por do sol

Dream on brother, while you can
Sonhe, irmão, enquanto você pode
Dream on sister, I hope you find the one
Sonhe, irmã, eu espero que você encontre aquele
All of our lives covered up quickly
Todas nossas vidas cobertas rapidamente
by the tides of time
pelas areias do tempo

Spend your days full of emptiness
Gaste seus dias cheios de vazio
Spend your years full of loneliness
Gaste seus anos cheios de solidão
Wasting love, in a desperate caress
Desperdiçando amor numa carícia desesperada
Rolling shadows of nights
Sombras rodopiantes de noites

Sands are flowing and the lines are in your hand
Os momentos passam e as linhas estão em sua mão
In your eyes I see the hunger
Em seus olhos eu vejo o desejo
And the desperate cry that tears the night
E o grito desesperado que rasga a noite

quarta-feira, novembro 07, 2012

Karma Police - Tocado pelas mãos de Deus

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                                                  Por André Mont'Alverne
Para começar, tenho que dizer que é difícil falar somente de uma música do álbum OK Computer. É um disco em que as músicas parecem estar conectadas de alguma forma, como um elo, e devem ser apreciadas na íntegra, ou seja, aperte o play na primeira faixa "Airbag" e esqueça de tudo, até que ele acabe por ele mesmo na última música "The Tourist".


Grande parte do meu gosto por música veio quando compreendi esse trabalho. Passei a entender a música além do divertimento, além do que o som proporcionava. Daí pra frente, entendi melhor o que era genialidade e o que um artista era capaz de fazer com a música. Ainda é difícil de classificar essa obra prima do Radiohead. Isso é rock, isso é pop e ainda é mais um monte de coisas.


A Lei do Karma, de acordo com o espiritismo, é aquela lei que ajusta sabiamente o efeito a sua causa. Todo o bem ou mal que tenhamos feito numa vida virá trazer-nos consequências boas ou más para esta vida ou próximas existências. Alguns ditados bastante conhecidos explicam melhor o karma como: "o que semeia raios colhe tempestades", "com a vara com que medes serás medido", "olho por olho, dente por dente", só para citar alguns.

Na quinta faixa do disco se encontra a música Karma Police. E a impressão que dá nesse momento, é que o piano e o violão foram feitos um para o outro, eles não se desgrudam até o final da canção, que é acompanhado por um compasso pesado de bateria, criando assim uma melodia sublime.


Na letra da canção, Thom Yorke canta como uma pessoa atormentada pelos objetos do karma, da perseguição, da necessidade de parecer ser, de ser alguém na sociedade. E, indiretamente, ele fala sobre a necessidade de se ter um visual diferente, de tentar ser diferente. Segundo a banda, a Polícia Cármica é uma expressão que eles usavam, em tom de brincadeira, quando alguém cometia algum erro durante uma gravação ou ensaio.



No clipe de Karma Police, Thom Yorke é o algoz, e de dentro de seu carro, persegue um homem cruelmente. Entretanto, ele está no banco de traseiro e a câmera funciona como se ela fosse os olhos do motorista, que volta e meia, olha para trás, como quem está pedindo a confirmação da perseguição. O final desse clipe dá ao telespectador uma sensação desesperadora e a sonoridade com sintetizadores contribui para esse clima.  

O Radiohead é uma das maiores bandas do nosso e de todos os tempos, e Karma Police foi o primeiro single de um dos melhores álbuns já gravados. Sem essa canção, talvez não existissem muitas outras músicas boas de várias bandas que devem a sua existência bem sucedida ao Radiohead como o Coldplay, Travis e Muse.

Eles foram pioneiros do resurgimento de boas músicas que já eram raras no final da década de 90 com seus Limp Bizkit`s, Korn`s e Kid Rock`s. Por isso tudo e mais um pouco, Karma Police é um clássico intocável e merece fazer parte de qualquer lista de melhores canções da história da música.



Karma Police - Polícia Cármica

Karma police, arrest this man, he talks in maths
Karma policial, prenda este homem, ele fala em números,
He buzzes like a fridge, hes like a detuned radio
Ele zumbe como uma frigideira, ele parece um rádio fora de sintonia
Karma police, arrest this girl, her hitler hairdo, is making me feel ill
Karma policial, prenda esta garota, seu penteado de Hitler está me deixando doente
And we have crashed her party
E nós acabamos com a festa dela.

This is what you get, this is what you get
Isto é o que você ganha, isto é o que você ganha,
This is what you get, when you mess with us
Isto é o que você ganha, quando você mexe com a gente.

Karma police, Ive given all I can, its not enough
Karma policial, eu tenho dado tudo o que posso e não é o suficiente,
Ive given all I can, but were still on the payroll
Eu tenho dado tudo o que posso, mas nós ainda não constamos na folha de pagamento.

This is what you get, this is what you get
Isto é o que você ganha, isto é o que você ganha,
This is what you get, when you mess with us
Isto é o que você ganha quando você mexe com a gente.

And for a minute there, I lost myself, I lost myself
Por um minuto lá eu me perdi, eu me perdi.
And for a minute there, I lost myself, I lost myself
Por um minuto lá eu me perdi, eu me perdi.

sábado, junho 09, 2012

O legado do Pink Floyd

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Por André Mont' Alverne

"Stephen William Hawking, 63 anos, é considerado um dos mais importantes físicos teóricos do mundo, apesar de sua doença degenerativa, ainda sem cura, com que convive há mais de 30 anos. Ele é autor do livro "Uma breve história do tempo". Hawking usa um teclado acoplado a um computador para controlar um sintetizador de voz através do qual pode se comunicar." - Wikipédia

Sou fã do Pink Floyd, e pra mim a obra dessa banda é um retrato sonoro daquilo que é mais incrível, surpreendente, inovador e espetacular que a mente humana foi capaz de produzir nos últimos tempos.... Existem várias canções no meu próprio Top Pink Floyd List, se eu fizer uma lista de melhores hoje, a mesma sequência com certeza não se repetiria amanhã. 

Por isso escolhi falar somente de uma música que talvez possa resumir o legado dessa banda que infelizmente não existe mais.

Keep Talking

Essa é uma daquelas músicas carregadas de sonoridade onde cada instrumento parece dividir a sua importância na construção da melodia. Podemos notar o simbolismo peculiar da banda e muitíssimos detalhes ao longo da canção. Tais como, o uso de dois solos instrumentais seguidos, com guitarra e teclado, bem ao jeito de "Astronomy Domine" (do primeiro álbum, 1967). 

Ao mesmo tempo a banda faz uso de coros femininos que nos remete, por exemplo, para 1973 (The Dark Side Of the Moon) seguidos dos mesmos efeitos vocais como haviam feito em 1977 (Animals), tudo isso entre tantos outros detalhes visuais maravilhosos presentes no show ao vivo de 1994 "Pulse" .... isso é obra prima!

A letra de "Keep Talking" sugere pensar sobre o isolamento das pessoas, ou o afastamento de pessoas que antes eram próximas, deixando inclusive de falar uns com os outros, e chegando ao ponto de não verem mais razões para... simplesmente falar.

Pink Floyd + Stephen Hawking

"Por milhôes de anos a Humanidade viveu como os animais, então algo aconteceu que libertou o poder da nossa imaginação. Nós aprendemos a falar"

Essas palavras aí em cima são ditas no inicio da música através do sintetizador de voz de Stephen Hawking.

O fato do cara não poder falar pode parecer uma ironia com a participação dele nessa faixa do álbum "The Divison Bell". A verdade é que o Pink Floyd o incluiu nos agradecimentos do álbum (para não passar despercebido, é o último nome mencionado no "Thanks to").

O quanto essas palavras e letra dessa canção significam na realidade dos dias de hoje? Falamos pouco cara-a-cara uns com os outros porque existe muita tecnologia no meio, inclusive as que possibilitam a conversa indireta. Celulares, SMS, chat, twitter, redes sociais, etc... desencaminham a humanidade se apenas se comunicar por eles e não cara-a-cara.

Ouçam esta canção. Não deixem de falar...

Keep Talking (Continue Falando) - Pink Floyd 


Durante milhões de anos, a humanidade viveu como os animais.
Aí algo aconteceu que libertou
o poder de nossa imaginação:
Aprendemos a falar"


Há um silêncio a minha volta
Não consigo pensar direito
Vou sentar no canto
Ninguém pode me aborrecer


Acho que devo falar agora
Por que não conversa comigo?
Parece que não devo falar agora
Você nunca fala comigo
Minhas palavras não saem direito
O que você está pensando?
Sinto que estou afogando
O que você está sentindo?
Sinto-me fraco agora
Você nunca fala comigo
Mas não posso demonstrar fraqueza
O que você está pensando?
Às vezes eu me pergunto
O que você está pensando
Para onde vamos daqui ?
O que você está sentindo?


"Não precisa ser assim. Tudo que precisamos é continuar conversando"
Por que não conversa comigo?
Sinto que estou afogando
Você nunca fala comigo
Você sabe que eu não consigo respirar agora
O que você está pensando?
Não vamos a lugar nenhum
O que você está sentindo?
Não vamos a lugar nenhum


Por que não conversa comigo?
Você nunca fala comigo
O que você está pensando?
Para onde vamos daqui ?


"Não precisa ser assim.
Tudo que precisamos é continuar conversando