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quinta-feira, novembro 20, 2014

Discos que formaram meu caráter (Parte 29) - “Back In Black”- AC/DC (1980)

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Muito bem moçada, estamos de volta com nossa programação normal, ou não. Perdidamente em um espaço sinistro de um mundo particularmente miraculoso, eis que retornamos com nossa muito louca nave para mais uma edição dos “Discos que formaram meu caráter”.

Sei que devo ter deixado várias pessoas chateadas e putas da vida, principalmente o dono desse blog, que é um cara muito legal (faz logo uma farofa), mas não voltaríamos à toa. Sem mais delongas e “eltontavarices” à parte, é com orgulho que volto do inferno para apresentar para vocês o sétimo disco dessa turma de Sidney (AUS). Senhoras e senhores com toda pompa e circunstancias que a ocasião permite, orgulhosamente apresento a vocês : “ Back In Black” do AC/DC. Todos de pé de PÉ.

Muito bem, corria os anos 80, ressaca dos famigerados anos 70 ainda estava no ar e os caras do AC/DC já tinham provado à Europa que na Austrália não existia só Canguru, coalas e o Men At Work (grande banda, por sinal). Mas faltava ainda a conquista da América, a invasão australiana aos EUA já era um objetivo. Os planos da banda quase foram abortados por uma tragédia. Em fevereiro de 1980 o carismático e competente Bon Scott morre afogado no próprio vomito (yeah), mais rock impossível.

Sem muito tempo para frescuras e digerindo a perda, coisa que Scott não fez direito (rá), os caras recrutaram o não menos foda ex- vocal do Geordie, Brian Johnson. Com nova formação, o AC/DC partiram para um estúdio e resolveram fazer uma homenagem ao finado frontman. Sem as 15 músicas escritas por Bon Scott para um novo álbum (um sinal de respeito dos caras), as cartas estavam na mesa.

Lançado em 25 de julho de 1980, o disco foi uma homenagem póstuma, um tributo a Bon Scott, caras que Tributo sem mais salamaleques e leros vamos dissecar este belo artefato:

A bolacha começa coma hoje clássica “Hells Bells”, na mais justo do que tocar os “sinos do inferno” para homenagear o saudoso e “vomitão” vocalista, ai o clima sombrio da espaço a um alucinado rif de Angus, ai meus velhos a pauleira corre solta com Brian falando em alto e bom som que “ se você é mal então é dos meus”. Entra a não menos alucinante “Shoot To Thrill”, que particularmente considero atemporal, mesmo com quase 30 anos ainda pode ser aproveitada pela grande indústria, não é a toa que é o tema da vida de Tony Stark (só os bem fodas). 

Vamos para “What Do You Do For Money Honey”, a mais digamos “pop” do disco fala oque as pessoas podem fazer por dinheiro, segundo os caras “principalmente as mulheres”. “Giving The Dog A Bone”, o clássico “balance a cabeça e acompanhe o refrão”, recheadas de conotações sexuais é uma das melhores da bolacha. Chegando a “Let Me Put My Love Into You”, começa vagarosa, mas logo é dominada por riffs e uma bateria insana. 

Sem deixar a peteca cair “Back In Back” a faixa título do discão, mostra exatamente o que os caras estavam passando, a volta do “luto” ou você não sente isso quando ouve “de volta do luto/eu cai na cama/Estive longe por muito tempo....Sim eu fui libertado da forca”. O clássico dos clássicos, a melhor música já composta, os acordes, riffs e letras mais perfeitos, sim amigos “You Shook Me All Night Long”, e sem duvida alguma,  um dos hinos do rock no mundo, uma homenagem de Brian a sua namorada da época (risos). 

“Have A Drink On Me”, em time que esta ganhando não se mexe, ou seja mesma formula, começa calma e termina em um espetáculo de porradaria. “Shake A Leg”, cantada por Brian com um vozeirão dos infernos, mostra oque seria a banda a partir daquele momento. E Fecha tudo com “ Rock And Roll Ain`t Noise Pollution” uma introdução improvisada na hora, e riffs animalescos fecha o álbum com chave de ouro. São quarenta e um minutos e trinta segundos de pura porrada nos ouvidos. Sem dúvida nenhuma, um disco que já nasceu para ser foda. Medalha de clássico em primeira linha.

Esta bolacha foi um sucesso de vendas, vendeu até hoje 51 milhões de cópias é o disco de rock mais vendido de todos os tempos, e o segundo álbum mais vendido de toda história (perde apenas para “Thriller” do Michael Jackson, que realmente não conheço ninguém que tenha).
Se Bon Scott precisou morrer para a concepção desde verdadeiro míssil sonoro em ode ao rock, cara sua morte não foi em vão. 

Este álbum foi um verdadeiro “chute nos colhões” da dita New Wave da época. Tive a imensa felicidade de receber meu mais novo exemplar das mãos da Bia (minha garota), que viu quanto fiquei feliz com o presente. Muito bem macacada é isso.  Velhos, quem não conhece o disco não merece nem em 100 anos a patente de foda, pegue seu dito passado roqueiro e jogue no lixo. No mais, é só.

Marcelo Guido é Punk, Pai da Lanna e barba (mal feita) da Bia... “ nem a morte, muito menos o Diabo podem parar o Rock In Roll”.   

segunda-feira, maio 19, 2014

Discos que formaram meu caráter (parte 28) - “Transpiração Continua Prolongada”- Charlie Brown Jr-( 1997)

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Muito bem galera, sei que já faz muito tempo, mas por muitos percalços e também por extrema falta de tempo a  viagem por discos, músicas e histórias em geral esteve interrompida, mas é com muito orgulho que digo que, NOSSA MUITO LOUCA NAVE está de volta para continuarmos nossa caminhada pelo mais estrondoso, escuro, imenso mundos dos DISCOS, MÚSICAS E AFINS, todos de pé, de pé.

Sem mais delongas e frescuras a parte vamos logo ao que interessa. Nossa nave nos leva à famigerada década de 90, sim a retomada do rock “brazuca” (gosto desse termo). O ano era 1997, é com orgulho e lagrimas nos olhos que apresento a vocês, “TRASPIRAÇÃO CONTINUA PROLONGADA”, o disco de estréia do Charlie Brow Jr. Palmas.

Corria ali o final da década, e muitos ainda tinham um medo no ano 2000, mas o rock nacional que tinha ressuscitado no longínquo ano de 1994 com os caras do RAIMUNDOS (já falei disso) continuava rendendo bons frutos. Era muita banda boa aparecendo, muita banda ruim também o que importava era que semente jogada no solo árido do mercado fonográfico nacional pela molecada de Brasília (DF), tinha dado certo e frutos já tinham sido colhidos. 

“ O RAPPA ”, por exemplo, já era uma realidade com o seu “Rappa Mundi”, os próprios “RAIMUNDOS” já se davam ao luxo de lançar “LAPADAS DO POVO”, um disco extremante punk (sem baladinhas radiofônicas), o PLANET HEMP, ainda com “ Os cães ladram mas a caravana não passa” davam muito o que falar, ou seja tudo conspirava favor.

Na batalha desde 1992 a molecada de Santos, procurava um lugar ao sol e acabou caindo na graça de um cara chamado Rick Bonadino, que estava com a moral lá em cima depois dos “Mamonas Assinas” e pode bancar aquela banda de “SANTOSSSS”.

Com uma linguagem simples, que elevava à máxima potência a cultura de rua, palavreado do skate, temática fantástica que ia da vida familiar, a relacionamentos e não um simples “rolê” urbano, a banda de Chorão (com certeza o vocalista mais carismático dessa geração) mostrou logo a que veio no seu primeiro disco.

Deixando as gloriosas mesmices de lado, e todo aquele papo chato de critico musical vamos logo ao que interessa e dichavar (ops) o belo disco.

O disco começa com uma singela vinhetinha, com lance meio descomprometido chamado “O ultimo frango da Malásia”, tecnicamente instrumental. Caindo logo para “O coro vai comer”, que avisava os menos entendidos (cruzes) que “os caras do Charlie Brow invadiram a cidade” e era bom avisar a mãe o cachorro e a sogra que “o couro ia comê”. Indo para uma história de amargar chamada “Tudo que ela gosta de escutar”, singela e simples historinha de romance entre um cara largado e uma patricinha (muitos saberão o que falo). 

Chegando em “Sheik”, a velha lenda do cara que é o ás da mulherada. “ Hei Arreia”, instrumental para relaxar. “Gimme o Anel” dos inesquecíveis versos “Dinheiro você já tem, eu te ofereço meu míssil”. “ Molengol`s Groove” outra da linha instrumental. “ Aquela Paz”, o julgamento feito pelos outros, suas atitudes mostrando que você realmente é. 

Segue com “Quinta Feira”, um flerte com o Ska, uma batida simples, letra fundamental que conta algo sobre o que parece inofensivo, mas que te domina. “Proibida pra mim”, a mais “jabá” do disco, essa levou os caras ao Monte Olimpo, uma porrada na cara de quem naquela época não se pegou cantando “...ela achou meu cabelo engraçado..”. 

Continua com “Lombra”, aqui um flerte com Rap. “Corra Vagabundo”, aqui uma dose de criticas contra as autoridades policiais. “Falar Falar”, a critica versátil contra todos os repetitivos discursos. “Festa”, uma verdadeira zona só com pessoas legais, sem os “pau no cu” e adjacentes. “Escalas Tropicais”, um dia normal, na vida boa de sombra e cerveja. E fechando tudo com “Charlie Brown Jr”(deixa estar que eu sigo em frente), com certeza um aviso que aquilo tudo era só um começo.

O disco vendeu tranquilamente mais de 250 mil cópias, nada mal para um álbum estréia. Um trabalho regado a muita energia e muitos causos a parte. Com certeza merece sua estatueta de CLÁSSICO. 

O Charlie Brown apareceu em uma época onde tudo já parecia pronto, onde novidades já estavam sendo aclamadas pelo grande público. Depois da morte do Chico Science, com um tipo de música que quase que por osmose e adquirida pela parcela jovem, um público dos esportes radicais por exemplo. Com influencias claras das bandas nacionais, como O Rappa, Raimundos, Planet Hemp (Chorão nunca escondeu isso) misturando tudo com a “gringalhada” do Blink 182, Rage Against the Machine, Sublime e Suicidal Tendencies, os caras conseguiram emplacar um discos bom atrás do outro e esse meus jovens foi só o primeiro.

Meus parabéns Chorão pela eficiente mistura de cultura de rua, skate rock e rap de branco. Um verdadeiro Red Hot Chili Peppers nacional, um disco essencial por que todos nós já tivemos 18 anos.

Marcelo Guido é Punk, pai da Lanna, Namorado da Bia, Jornalista e Professor “...gosta mais de cerveja do que de pessoas”.

terça-feira, setembro 24, 2013

Discos que formaram meu caráter (Parte 27) - Wezzer (Blue Álbum)- Wezzer (1994)- Por Marcelo Guido

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Muito bem moçada, voltando depois de longas e propositais férias de verão, estamos de volta com nossa programação normal. Prometo não abandona-los mais e me sinto em divida com vocês.

Sem mais “frescurites”, partiremos sem escalas rumo ao mundo da música, discos e afins. Nossa muito louca nave ou como queiram “maquina do tempo” nos leva ao ano de 1994.

Sem gritos de “É TETRA, É TETRA, É TETRA”, sem gravatinha com bandeira dos Estados Unidos e muito menos Pelé (ou o Edson) pendurado no meu pescoço, volto do inferno e lhes apresento (que rufem os tambores)...WEZZER (BLUE ÁLBUM). Palmas pra ele.

Como já disse corria o ano de 1994, começo dos belos anos 90. Sim o Grunge já tinha dado as caras, o ano dourado “1991” já havia passado e música começa a engatinhar no esquema digital. Foi o fim precoce das saudosas k7s (muito conhecidas como fitas). O magistral Vinil começava a entrar na escuridão (para depois ressurgir) dando espaço para o CD e realmente ganhando em tecnologia mais perdendo em charme (hummmm). Nesse cenário aparece um bando de nerds, que resolvem colocar em pratica seu plano e assim conquistar uma infinita quantidade de fãs, primeiro na Califórnia e depois em todo globo o Wezzer dava as caras.

Na batalha desde 1992, os caras não pegaram o bonde andando. Sim, com suas letras simples, temática engraçada e realmente comum, que ia da saudável vida adolescente ate shows do Gree Day  os caras já davam o que falar no underground (não o bar do Tassio) californiano.

O tiro para o reconhecimento mundial se deu com essa fantástica bolacha, que seguia um preceito básico, álbum de estreia  auto intitulado “Wezzer” e depois batizado pelos fãs como “Blue Álbum”, lindo isso.  Sem mais delongas vamos dissecar esse belo artefato:

O disco começa com a salutar “May Name is Jones”, com uma guitarra e bateria forte é um bom começo de disco, sim quem escuta esses primeiros acordes com certeza vai lembrar de Ramones pela simplicidade que é colocada, a letra simplista fala da vida urbana que leva um tal de Jones. Entra sem pedir licença “No One Else”, com uma levada mais curtida e muito pra frente da o ar “pop”, para os caras a letra fala sobre um cara que foi abandonado por uma garota. 

Segue com “The World Has Turned And Left Me Here”,  uma ode ao inconformismo adolescente, as mudanças no mundo e a solidão. Continua com “Buddy Holly”, o roqueiro dos anos 50 batiza essa bela canção sobre um amor platônico (reza a lenda que o vocalista da banda nutria um sentimento por uma garota asiática no colegial). 

Avança com “Undone-The Sweater Song” a raiva constante de se matar um velho suéter (isso mesmo). Prosegue com “Surf Wax America” com letra rimada e instrumentos bem colocados uma comparação esdruxula de guiar um carro e surfar, são metáforas do cotidiano. Em “Say It Ain`t So”, letra romântica, com interjeições musicais de peso, possante. 

Vai para “In The  Garage” , uma singela e “caipiresca” gaita, abre a musica que conta a história da banda, entre livros de RPG e shows do KISS, mais nerd impossível. “Holyday” essa bela canção de amor que se passa em um feriado e termina tudo com a singular e também romântica “Only In Dreans”.

Sem duvidas o Wezzer saiu para dar a cara à tapa e foi muito feliz em sua investida, seus fãs estão por ai para provar isso. Esse disco por falar de histórias comuns a qualquer pessoa (basta que se tenha um suéter para matar) merece com muito orgulho e honras militares sua medalha de clássico. 

Tenho um carinho especial por esse disco, ganhei um exemplar do meu velho pai. Que tinha recebido a incumbência de trazer de uma viagem o “Three Imaginary Boys” do The Cure e me presentou com um marco do “Rock Alternativo” no esquema “ ...Não tinha aquele que tu pediu, a vendedora falou que esse é parecido”. Bela errada pai.

Com certeza um dos melhores discos dos anos 90, cumpre sem duvida alguma função magistral de te alegrar em um dia triste.

No mais é só. Semana que vem se não rolar nada estaremos de volta.

Marcelo Guido é Punk e Pai da Lanna. “ É Chu, aja oque ajar...”
    

sexta-feira, julho 12, 2013

Discos que formaram meu caráter (Parte 26) - Rappa Mundi – O Rappa (1996) - Por Marcelo Guido

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Muito bem moçada do bem ou do mal, aqui tem espaço pra todos. Voltamos com nossa programação normal. Nossa nave muito louca nos leva para mais uma viajem insólita. 

Embarcaremos nessa edição para os anos 90. Isso, os saborosos anos de Collor, fusca, Lilian Ramos sem calcinha e do Tetra campeonato. Mas como sempre falando de discos, bandas e afins.

O ano em questão é 1996, passando da metade da década e o disco que relembraremos hoje é “Rappa Mundi”, segundo trabalho dos cariocas O Rappa. Palmas pra ele.

A bomba lançada pelos Raimundos em 94, que simplesmente colocou de cabeça pra baixo todo mercado fonográfico nacional já tinha dado bons frutos, a geração “90” do Rock “Brazuca” começava a ganhar rosto, e com perdão do trocadilho, vinha dando e bem a “cara a tapa”. 

Gente como o pessoal do Planet com o seu “Usuário” (já falei deste), uma galera muito boa de Recife (leia-se Chico Science e sua Nação Zumbi, Fred 04 e seu Mundo Livre S/A, Canibal com seu "Devotos do ódio" no Gangrena Gasosa), o próprio Skank de Minas Gerais, dentre outros, conseguiam dar consistência  ao que a turma muito doida do cerrado tinha começado. 

Dar fim a toda àquela pasmaceira de dor de corno, bundas e bandas de colegas da Cohab. Muito obrigado Raimundos.

Os cariocas do Rappa, tinham se reunido para acompanhar o Jamaicano Papa Winnie (Regueiro do bom) em sua turnê por nosso país no de 93, eram eles Nelson Meirelles, Marcelo Yuca, Lobato e Xandão. Já eram excelentes músicos e tinham trabalhos contundentes no underground carioca. Resolveram formar a banda e colocaram anúncios em jornais e dentre muitas audições resolveram recrutar Falcão. Estava pronta a banda.

Já em 1994, eles lançam o excelente “O Rappa”, que infelizmente acaba passando em branco, apesar de conter clássicos como “Todo Camburão tem um pouco de Navio Negreiro”, uma critica voraz  ao  “apartheid  social” que acontece no Brasil, “ Candidato Caô Caô” releitura do clássico gravado por Bezerra da Silva nos anos 70, o disco acaba sendo pouco compreendido. Já falei algumas vezes de como andava a música brasileira naqueles tempos negros. 

Com o Grande sucesso do Planet em 1995, os caras passam a ser a bola da vez. Aquela formula de misturar vários elementos podia dar certo de novo, e deu.

Eles entram em estúdio, já com outra formação (sai Meirelles e entra Lauro) e gravam o disco que os colocariam no mapa da música nacional.

Vamos deixar de frescura e ir logo para as faixas:

“Rappa Mundi” começa logo de “Cima” com a “Feira”, com batidas envolventes e letra de fácil compreensão, essa verdadeira ode de duplo sentido mostra um cotidiano comum, um cotidiano malandramente brasileiro. Vai para “Miséria S/A”, o dia-a-dia do trabalho informal que todo dia sai para batalhar o “Seu” na honestidade. “Vapor Barato”, do poeta maldito Waly Salomão ganha nova roupagem. “Hey Joe”, do grade Jimi Hendrix ganha aqui uma versão carioca e uma cara brasileira, mas sem perder a ternura com a participação magistral de D2 essa música foi uma das mais executadas nos anos 90. “Ilê Ayê” composta pelo grande Paulinho Camafeu, hino do bloco que leva mesmo nome, também uma critica a divisão racial existente no Brasil. “Pescador de Ilusões”, uma viajem pela cabeça de alguém que clama por esperança. “Uma Ajuda”, a visão de alguém que vê a situação social do brasileiro pelo lado de dentro, imagine um desempregado ou alguém a margem da sociedade vivendo nos dias de hoje. “ Eu quero ver Gol”, essa uma parceria de Falcão e Xandão, mostrando que não havia uma ditadura nas composições, um dia de domingo normal. “Eu não sei mentir direito”, passando mais para o lado do “ska”, nessa faixa o jeitinho brasileiro vem a tona. “O Homem Bomba”, o excluído, o que passa longe, o marginal que fica de fora de tudo, um dia se revolta e cobra o seu. “Tumulto”, o que acontece de real quando a população encontra-se um ponto de revolta contra os governantes, mazelas sociais podem transformar o mais pacifico em um eventual terrorista. “ Lei de Sobrevivência”, como sobreviver e tentar mudar a própria situação, a visão do trabalhador. “Óia o Rapa”, a origem do nome da banda, nessa composição do Lenine.

As rádios tocaram como nunca essas faixas, “A Feira”, “Miséria S/A”, “Hey Joe”, foram logo se transformando em hits. Disco de platina garantido.

Com todo cunho social, e pela importância para o rock nacional medalha de clássico garantida.

A evolução de um disco para o outro e algo realmente marcante, esse disco também mostrou todo talento de Marcelo Yuca, como critico ferrenho da sociedade.

“Rappa Mundi” é um daqueles discos que merecem ser estudados bem, quase 20 anos após seu lançamento continua um disco “político e atual”.

Por que ainda existe muito “PESCADOR DE ILUSÕES”, na “FEIRA” atrás de um “VAPOR BARATO”, ou “UMA AJUDA”, que “NÃO SABE MENTIR DIREITO”, mas curte o “ILÊ AYÊ” e grita “EU QUERO VER GOL”, espera o “TUMULTO”, vira “HOMEM  BOMBA” já que essa é a “LEI DE SOBREVIVÊNCIA”...”ÓIA O RAPA.

Esse disco foi só o prenuncio de “Lado B Lado A”, mas essa é outra história.  Por hoje é só.

Marcelo Guido é Punk, pai, marido, jornalista e professor. “...Ainda quero  ver gol”

quinta-feira, julho 04, 2013

Discos que formaram meu caráter (Parte 25) - Standing on a Beach (The Singles)- The Cure (1986) - Por Marcelo Guido

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Muito bem, moçada, voltamos para nosso compromisso de toda semana. Sim, estamos de volta para nossa tórrida e agradabilíssima viagem por discos, bandas e afins.

Nossa indomesticável e muito louca “maquina do tempo” nós leva para a década de 80, amigos adentraremos através dessas linhas tortas nos primorosos, perdidos, mas, por que não muito divertidos “anos 80”.

O ano em questão é 1986, e nosso Brasil tropical vivia uma espécie de “lua de mel”. O Rock in Rio I (1985) começava a dar frutos e bandas de rock nacional pipocavam a todo o momento. Nossos tão assustadores generais, que outrora tocavam o terror na ditadura militar, se viam agora vestidos em pijamas e viam sem opinar todo aquele frescor jovial tomando conta do pedaço. É sempre bom lembrar que aquelas múmias com cara de avô brabo, são ávidas para chegar ao poder de novo e pasmem ainda tem gente que apoia. Estamos de olho.

Mas como isso aqui não é aula de história e nem palco político, vamos ao que realmente nos interessa já que estamos aqui para falar de discos. A bolacha que eu, diga-se de passagem, muito feliz, apresento para uns e relembro pra outros é a gloriosa coletânea “Standing on a Beach” do The Cure. Palmas pra ela.

O popular “disco do velho na capa”, foi gerado com o melhor que a banda de Crawley, Inglaterra, havia produzido e lançado entre os anos de 1979 a 1985. Ou seja, o melhor que a sombria banda de Robert Smith tinha apresentado em seus discos até aqueles dias.

Lembrando que o nosso então atrasado país, não dispunha ainda de um mercado contundente para bandas internacionais, e essa coletânea acabou por iniciar muitos (inclusive eu) na arte de ouvir, entender e compreender o que aquela figura bizarra, com cabelos magistralmente desgrenhados e batom vermelho na boca (falo aqui de “Bob” Smith e não daquela sua tia velha e gorda e quer sair em todas as fotos da festa) queria dizer com letras como “A Forest” e “Primary”, por exemplo.

Era o nosso “debú” (sei, isso é meio gay) no pós- punk, e não tinha como ser diferente. Pegamos o melhor da banda que mais representa esse movimento (calma cults, eu também gosto de Sisters of Mercy, Bauhaus, The Mission e nutro uma certa e particular paixão pela Siouxsie). É que o The Cure é diferente.

Vamos as faixas:

O disco começa muito bem com a singular “killing an Arab”, originalmente lançada em 79, é inspirada no livro “O estrangeiro” de Albert Camus, e com seu instrumental sombrio e com linhas de baixo bem colocadas junto a uma batera prontamente delineada nos convida para a viajem. “Boys Don`t Cry” também de 79 vem em seguida colocando todo mundo pra “dançar olhando para parede”. Essa música dispensa maiores comentários ela com certeza foi o que lançou a “Cura” para o mundo (os fodas entendem). 

Segue com “Jumping Someone Else´s Train”, também de 79, é encorpada e não deixa a peteca do disco cair, lembra muito a música anterior. “A Forest”, entrando nos anos 80, uma viajem muito bem escrita e contada, uma representante da fase “gótica” da banda, mostra como seria a “Atmosfera” do som dos caras. “Primary”, de 81, é uma singela homenagem a Ian Curtis (falecido em 1980) que os fodas sabem quem é. “Charlote Sometimes”, também de 81, soturna, mostra também a atmosfera do The Cure, inspirada em outro livro o romance infantil (que leva o mesmo nome) de 1969, da autora Penélope Farmer, muitos versos da canção remetem a estrofes da história. 

Continua com “The Hanging Garden”, de 82, com uma batida que lembra uma “parada militar”, parece convocar as criaturas da noite, que habitam um Jardim suspenso, que pode estar dentro de você. “Let´s Go To Bed”, de 82, começa a quebrar o “Ar Gótico” da banda, um momento negro que os caras estavam passando, com brigas internas talvez mudar o um pouco o estilo seria uma maneira sarcástica de terminar com o grupo. “The Walk”, de 83, a descoberta comercial do The Cure. “The Lovecats”, de 83, outra com inspiração literária, “O Vivi Sector” de Patrick White, cujo em seu romance um personagem afoga um saco gatos vadios, os bichanos representam na música os membros mais inocentes e vulneráveis da sociedade. 

Em “The Caterpillar”, de 84, a beleza interior que cada um, guarda dentro de si. “In Between Days”, de 85, com seu inesquecível solo inicial de batera, uma ode ao envelhecimento e a perda dos medos. “Close To me”, de 85, encerra de forma magistral o disco, dançante e pra cima, deixa sempre um gosto de quero mais.

A ordem cronológica respeitada, um disco que mostra todas as fases então percorridas pela banda, do basicão praticamente cru, dos tempos de “Killing Na Arab” , para a fase gótica com “A Forest”, passando para uma verdadeira metralhadora de canções pop com “ In Between Days”, mostrando toda sua importância para o rock nacional e para a vida de muitos que como eu acabam por se encontrar  nessas letras, não pode ficar de fora. Merecida “medalha de Clássico”.

Desnecessário falar que o disco foi um sucesso de vendas no Brasil, recebendo platina dupla e os caralhos, as rádios executaram as músicas ao máximo e isso fez com que Robert e sua trupe já aportassem por aqui em 1987, uma excursão de oito shows (dois em Porto Alegre, um em Belo Horizonte, dois no Rio e três em São Paulo).

Uma curiosidade sobre esse disco é que ele foi relançado com o nome de “Staring at the Sea” (o mesmo nome do VHS que chegou por aqui nos anos 80) e ganhou mais quatro faixas “:  10:15 Saturday Night”, “Play For Today”, “Other Voices” e “A Night Like This”.

A importância desse disco é muito grande dentro da vida de muitos que conheço e por que não dentro do rock brazuca, muitos de meus velhos amigos têm pelo menos uma das faixas desse LP eleitas como preferida e na boa, escute com atenção “Tempo Perdido” (disco “Dois” Legião Urbana) e encontre “Primary”, ela esta lá escondida. 

Quase 30 anos após seu lançamento, essa bolacha continua relevante é obrigatória na estante de qualquer um que se mete a entender de Rock.

É isso.

Marcelo Guido é Punk, pai, marido, jornalista e professor. “É Chu mais um disco pra você...”.

quarta-feira, junho 26, 2013

Discos que formaram meu caráter (Parte 24): O Descobrimento do Brasil- Legião Urbana (1993) – Por Marcelo Guido

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Muito bem amigos, voltamos mais uma vez para falar (sem querer ser repetitivo) de músicas, discos e afins. Como faço toda semana, espero acrescentar a vocês um pouco mais sobre assuntos um tanto quando piegas, mas relevantes.

O disco de hoje nos leva até a década de 90, mais precisamente ao ano de 1993, um ano de incertezas no campo politico, onde um presidente eleito pelo voto popular acabara de renunciar, mostrando toda nossa frustração com nossa primeira experiência democrática depois dos áureos anos de Ditadura.

No campo musical, uma lastima sem precedentes (já falei algumas vezes sobre isso) um imensurável numero de “duplas sertanejas” vindas mais precisamente do estado de Goiás e redondezas, armadas de suas calças apertadas, violas, agudos ensurdecedores (que deixava a Tetê Espíndola, morta de inveja), uma dor de corno imensurável. Da Bahia vinha à famigerada “Axé Music”, com seus refrãos grudentos, coreografias ensaiadas e a Daniela Mercury, clamando para si todas as cores da cidade e os cantos também (alguém deveria ser responsabilizado por isso), sem falar claro do “Pagode Romântico”, onde todos os amigos de bairro montavam um grupo e com músicas melosas conseguiam seus 15 minutos de fama, sentavam no sofá da Hebe (com direito a selinho) e se refrescavam na “Banheira do Gugu”. Realmente dá nervoso só de lembrar, essa parte dos anos 90 foi embora muito tarde.


Foi no meio disso tudo que, como verdadeiros “Salvadores da Pátria” a Legião Urbana nos brindou com esse excelente álbum que, com certeza, embalou a vida, a adolescência e juventude de muitos de nós. Com o coração cheio de orgulho que eu apresento para uns e relembro para outros “O descobrimento do Brasil”, todos de pé, todos de pé.

A coisa andava meio mal para os caras da Legião, o comodismo do mercado e também o preço do sucesso acabava por colocar os caras a mercê dos críticos, já não produziam nada novo desde o LP “V” de 1991 (muito bom, mas conceitual e compreendido por poucos) e vinham de uma coletânea deveras “Caça niqueis” (coisa de gravadora) chamada de “Musica para acampamento” (essencial para qualquer coleção digna de rock), mas os fãs queriam mais, queriam coisas novas.

Renato Russo encontrava-se, mais uma vez, frente a frente com outro tratamento para dependência química e alcoolismo. Mas diferentemente das outras tentativas, “a voz da geração Coca-Cola” (se eu não coloco isso os cults me apedrejam), encarava a situação com otimismo.

Foi no meio de todo esse circulo conturbado, envolto nesse cenário negro que a Legião Urbana se reinventa e volta à relevância com este verdadeiro calhamaço de belas canções, com letras contundentes e melodias de valor imensuráveis.

Vamos deixar de lengalenga e ir logo as faixas:

O Disco começa com a metódica “Vinte nove”, forte sem dúvidas, feita cheia de referencias ao numero “29” (oh), muitos acreditam ser uma lembrança do tratamento de 29 dias do cantor, sem contar que para os esotéricos (coisa que Renato era e bem) os 29 anos que saturno passa para percorrer sua própria órbita. Marca uma nova fase na vida de qualquer individuo. “A Fonte” é outra canção forte, você só passa a compreender depois de várias audições, as criticas envolvidas na canção, mostram a volta da “raiz punk” da Legião. Então vem “Do Espirito”, extremamente pessoal e punk, com suas guitarras distorcidas é uma ode a luta de Russo contra o álcool.

“Perfeição”, como o próprio nome diz, é um dos maiores sucessos da banda, música preferida de muitos, uma critica pesada onde a ignorância do mundo é celebrada, mas a esperança aparece no final. “Passeio da boa vista”, instrumental para relaxar, excelente trilha para um passeio de barco ou uma consulta ao dentista. “O Descobrimento do Brasil”, a faixa título do disco, é uma nostálgica baladinha legal de se escutar, quem se apaixonou no segundo grau  sabe muito bem do que estou falando.

“Os Barcos”, minha preferida desse disco, letra pesada o verso “Só terminou pra você”, já fala por si só. “Vamos Fazer um Filme”, fala de um sentimento de reconstrução pessoal, onde tudo pode te jogar pra trás, mas você vai estar bem se sua turma for legal. “Os Anjos”, lado “Ofélia” (palmas pra ela) de Russo que dá uma receita perfeita para o lado negro da vida. “Um dia Perfeito”, clima bucólico, ótima sintonia de guitarra com teclado, perfeita  para tardes chuvosas.

“Giz”, outra da metáfora “Quero ser criança de novo”, nostálgica, letra magnifica considerada pelo próprio Russo como sua “obra prima”. “Love In The Afternoon”, creditada a varias perdas importantes, foi feita para um namorado falecido, é uma música romântica. “La Nuova Gioventú”, apesar do piegas nome em italiano, um “rockão” pesadíssimo, com direito a distorção e tudo, cita a maldita obra “On The Road”, a bíblia da contra cultura dos anos 60. “Só por Hoje”, o lema do AA, fecha com perfeição esse disco. Escute e entenda.

Letras fortes, temas marcantes, banda afinadíssima nada mais a falar. Sem muita frescura, clássico de marca maior. Foda-se do disco do caralho!

Nem é preciso dizer, que este disco vendeu mais de meio milhão de cópias, um verdadeiro “chute nos colhões” do mercado vigente na época.

Muitas lendas sobrevoam essa bolacha. Posso dizer a vocês que, apesar de dedicada em show “Love In The Afternoon”, não foi feita para o Aírton Senna (só se fosse escrita pelo Walter Mercado, o disco é de 1993, e o Senna se foi em 1994). Se você fala isso, pare você está falando merda. E “Giz”, foi realmente escrita e feita para Zezé di Camargo e Luciano (e dai? O cara só queria liberdade para cantar “é o amoooooooooorr”), mas isso não arranha o brilhantismo da Bolacha.

Esse foi o sexto LP da Legião, o último que fez os caras saírem em turnê e que proporcionou o e primordial registro ao vivo “Como é que se diz eu te amo” (duplo). E saiba que o excelente “A tempestade” (1996) era para ser um trabalho solo de Russo. Sim amigos, esse foi o derradeiro. Nada mal para um último suspiro.

Por hoje é só. “Urbana Legio Omnia Vincit

Marcelo Guido é Punk, pai, marido, jornalista e professor. “...é Chu, sempre rola um amor antigo..”

terça-feira, junho 18, 2013

Discos que formaram meu caráter (Parte 23) - (What`s the Story) Morning Glory ?- Oasis (1995)

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Muito bem moçada, estamos de volta com nossa programação normal, falando mais uma vez de músicas, discos e afins. Sem a preocupação de darmos de cara com balas de borracha e “Marias Pretinhas”. Vamos voltar no tempo e falar de um disco que mudou os parâmetros da música alternativa do rock and roll e abalou as estruturas da terra da rainha, e por que não da vida de muitos de nós.

É com muito orgulho que volto para os anos 90 e apresento (ou relembro) para vocês “(What`s the Story) Morning Glory?” do Oasis de 1995.

Na ativa desde 1991 a banda dos irmãos Lian e Noel Gallagher já tinham brindado os ouvidos e consciências mundiais com o excelente “Definitely Maybe” de 1994 (aquele da inesquecível “Life Forever”, pretendo falar deste também) e obviamente o mundo esperava por algo muito superior, coisa difícil porque o primeiro disco já era muito bom.

O renascimento cultural que andava rolando na época na Grã- Bretanha e já tinha sido batizado como “Britpop” (uma abreviação de “Britissh pop”, na melhor tradução “música popular britânica”) já tinha apontado o Oasis como padrinhos (Calma cults de plantão, eu também gosto do Blur), uma espécie de volta as raízes, onde influências de Pink Floyd, The Who, Stones e principalmente dos Beatles eram realmente marcantes, além claro dos arranjos tipicamente radiofônicos.

Então, voltando ao disco, eu lembro que lia muito a revista “BIZZ” que na época tinha sido rebatizada como “SHOWBIZZ” (mas ainda guardava a essência) e vi uma critica bastante negativa sobre esse disco. Fiquei curioso e resolvi ouvi-lo. “Puta-merda” que disco.

Os geniais irmãos aparentemente tinham guardado o “filé” para o segundo disco, pra acabar com aquela onda de “Trauma do disco 2”. Sim, eles simplesmente arrebentaram todas as expectativas e com arranjos fantásticos, letras marcantes e uma banda bem situada gravaram um “puta de um disco foda”.

Vamos ás faixas:

A bolacha começa com estonteante (hummmm) “Hello”, uma sátira bem humorada para a canção de Gary Glitter, um dos percursores do Glam Rock. Vai para “Roll With it” que recebeu uma atenção especial da gravadora para ser lançada como single, dando começo a “guerra” do Oasis com o Blur. Partindo para “Wonderwall”, uma das mais belas canções de todos os tempos, marcante, reza lenda ser uma homenagem a um amigo imaginário de Noel que o ajudava na infância, foi trilha sonora de novela no Brasil. Indo agora para “Don`t Look Back in Anger”, um hino, rapidamente ganhou as arquibancadas dos estádios de futebol e foi inspirada em um fragmento de uma conversa de John Lennon (Se você não sabe de quem se trata, nunca terá sua credencial de “foda”, nem em seus melhores sonhos). 

“Hey Now!”, bela e muito importante, bem trabalhada e com um refrão marcante. “The Swamp Song”, porradaria instrumental. “Some Might Say” levou os caras para as cabeças das paradas inglesas, também pudera, é uma das minhas preferidas, excelente canção deve estar na lista das “melhores músicas dos anos 90”. “Cast No Shadow” uma doce e púrpura (ai...ai) homenagem ao vocalista do The Verve (grande banda) Richard Ashcroft, que era amigo da rapaziada e andava meio mal. “She`s Electric” a mais “Beatle” do disco, lembra a fase “pós 60” dos rapazes de Liverpool. “Morning Glory”, faixa título do disco, é forte  e muito palatável, um refrão cativante, uma afirmação a vida. “ The Swamp song #2”,instrumental. Encerando tudo com a doce “Champagne Supernova”, reencarnação, Chapar-se tomando champanhe? Tire suas conclusões.

Na boa, nem tente dizer que entende de rock sem antes dissecar esse disco. Ele é daqueles que tem que estar na estante de qualquer um que se diz um bom ouvinte. Putz!!! Sem mais delongas, clássico de marca maior.

É necessário dizer que esse álbum vendeu mais de 23 milhões de cópias no mundo todo e é o terceiro mais vendido de todos os tempos no Reino Unido. O trato como o ponto mais importante do Britpop (pronto falei), chupa Blur.

Uma coisa que aprendi com esse disco é que quanto maior a critica negativa, melhor é o disco.

Meu fígado ainda lembra com orgulho o tanto de vinho barato e cerveja Antarctica (Paixão nacional) que consumimos nessa época ao som desse verdadeiro calhamaço de boas canções. Minha cabeça viaja com a lembrança do cheiro de mato queimado e solução de bateria (só os bem fodas), um brinde aos anos 90. No mais, é isso.

Marcelo Guido é Punk, pai, marido, jornalista e professor “ ...Sim, eu acho intimidade uma merda”.

segunda-feira, junho 10, 2013

Discos que formaram meu caráter (Parte 22) - A Valsa das Águas Vivas – Dance of Days (2004)

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Muito bem galera, estamos de volta com nossa programação normal. Se é que podemos achar normalidade nessa louca viagem, pelo universo paralelo da música, discos e afins. 

Nossa prosa nos levará ao mundo do underground paulista, ou melhor, nos subterrâneos da boa música brasileira, amigos é com muito orgulho que apresento para vocês “A Valsa das Águas Vivas”, o terceiro trabalho do Dance of Days.

Na ativa desde 1997, o Dance of  Days começou como um projeto paralelo do ex- vocalista do Personal Choice (Grande Banda) e figura tarimbada no movimento Punk Fabio “Nenê” Altro.

Com influencias claras do Punk/Hardcore, Hc Melódico  e o próprio rock “oitentista” (Indies indo ao delírio em 3,2,1...), os caras deram muito oque falar com “A História não tem fim” de 2001 o “debu” (hummmmm) e conseguiram um reconhecimento na cena alternativa do rock nacional.

Na sequencia bombástica veio o excelente “Coração de Troia” de 2002, os caras não deixavam a peteca cair e rompem as fronteiras paulistanas (legal isso) e excursionam pelo nordeste com os americanos do Avail (excelente banda), mostram que estão afinadíssimos, com letras coerentes e acidas. 

Dando tempo nas produções musicais, eles tiram um tempo para trabalhar em um disco que realmente abalaria os padrões de qualidade já alcançados por eles em dois discos, sim eles queriam realmente se superar.

Chegamos ao ano de 2004, já consolidados como expoentes marcantes na cena alternativa (se podemos dizer que alguém se consolida no alternativo nacional), os caras entram em estúdio e produzem esse verdadeiro míssil sonoro chamado “A Valsa das águas vivas”, sem mais delongas vamos desvendar esse mapa. 

Vamos às faixas:

O disco começa com a ótima “Um dia comum”, que fala de tempo, de juventude, versos como “Foi-se tempo, que ter o que dizer serviu pra alguma coisa...” nos colocam entre se vale a pena ser oque queremos, oque almejamos, aliais todos os dias são comuns, indo até a rapidíssima e não menos pesada “Vai ser assim mesmo”, que fala de relacionamentos. Chegamos a” Adeus Sofia”, uma das mais belas musicas nacionais dos últimos 20 anos, fala das certezas e incertezas do amor, essa faixa conta com participação da Fernanda Takai (Pato Fu). Em “Funerais do coelho branco”, música que leva o mesmo titulo de um dos livros do Nenê , fala também de incertezas que ocorrem dentro dos relacionamentos. 

“A Valsa das águas vivas”, canção que titula o disco é sem dúvida a minha preferida, começa com um baixo realmente estrondoso, que vai pra cima de uma guitarra estupidamente bem conduzida e uma batera que realmente vai passando por cima de tudo (essa musica é realmente foda) que fala de, quer saber escute e tire suas conclusões. Já “ Cem mil bolas de neve” é espetacular , fala sobre as crenças, da luta do dia-dia contra o inimigo que esta sempre dentro você mesmo, “Quando o veneno sobe a lança”, “...quando, outro dia se foi e viste oque passaste, mas depressa a que não percebestes...”, forte porém realmente intenso. Segue com “Dorian”, os motivos para estar bem, a agoniante. Depois “Quando dia aquece sementes mortas (a amarga história do rei do nada)” e seguindo a linha da porrada sentimental vem “Um canto para caronte (ou como a mantícora aprendeu a voar”, “Antítese” as discussões de reconhecimento sobre si próprio. 

E ainda tem “Nada demais”,  “Trabalhando em um bom título (mas que não seja repetitivo)” , fechando tudo com a estonteante “Vitória (ou qualquer coisa que o valha)” , a luta que todos temos que vencer para ser feliz.

Conheci esse disco através do grande Luís Xavier, o “Espalha Lixo”, que fazia parte do Sub-Versão (grande banda do DF, Guará “rules”), que como amigo sabia do período que estava passando.  

Realmente uma bolacha altamente sentimental, um disco que você pode ouvir e se encontrar em algum verso perdido dentro dele. Um disco fantástico, pessoal e por que não muito “foda”, jamais deixaria de receber sua medalha de clássico. 

Bom já foram 16 anos de banda, 10 discos dois DVDs e muitos fãs fervorosos, Nenê Altro, Marcelo Verardi, Fausto Oi e Samuel Rato continuam na linha de frente alternativa do underground, o Dance of Days com “A valsa das águas vivas” prova que a boa música não esta somente no “mainstream” e que a cena alternativa ainda dá muitos frutos bons.

Eu indico esse disco pra você, que um dia espera entender de rock. Vida longa ao Nenê Altro, vida longa ao Dance of Days, o Hardcore vence no final.

Marcelo Guido é Punk, pai, marido, jornalista e professor... “Você, MOCINHA deveria ouvir esse disco comigo”.  



quarta-feira, junho 05, 2013

Discos que formaram meu caráter (Parte 21) - Mantra – Shelter (1995)

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Muito bem moçada, aqui estamos de volta para encher vocês. Encher de informação, de cultura, um singelo “Blábláblá” legal. Espero que curtam mais uma passagem louca por essa fantástica, ou melhor, “fodástica” viajem pelo mundo da música, discos e afins. Vamos a ela.

Estamos no ano de 1995, efervescência total, um ano sem Kurt e ainda respirávamos uma extrema alegria por conta do ainda bem sucedido “Plano real”, moeda forte, poder de compra e os caralhos. Deixando de enrolação, vamos ao que interessa.

Hoje falaremos de um disco de uma banda, que para muitos pode ser obscura, mas não menos respeitável. É com alegria que apresento a vocês “Mantra”, quarto disco do Shelter de 1995.

Na batalha desde o começo dos anos 90, o Shelter começa como um projeto paralelo do vocalista Ray Cappo que deixava um pouco de lado o lendário Youth of Today (grande banda), para explorar seu lado mais melódico e sua ideologia Hare Krishna, que se tornaria a maior peculiaridade da banda.

Cappo, junto guitarrista John Porceel (outro oriundo da já citada banda Youth of Today), já tinham certo nome respeitado no underground nova iorquino, principalmente na cena “Straight Edge” (uma linha do Hardcore) que prega o não consumo de bebidas alcoólicas, abstinência de drogas e a busca por uma vida mais saudável, dentre outras diretrizes. Era o começo do “Krishnacore”.

A banda saiu em turnê pelo território americano e conseguiu uma legião de fãs com seu discurso apurado, baseado nos ensinamentos da religião hindu. E em um comportamento que mostrava a valorização da vida, contra o consumismo e da postura “destrua tudo e a todos”. Shelter começava a chamar atenção dentro e fora dos EUA. Depois dos excelentes “Perfection of Desire” (1990), “Quest of  Certanity” ( 1992) e “Attaing The Supreme(1993)”, os caras arregaçam as mangas e produziram “Mantra”, com toda força e positividade.

Vamos às faixas:

O disco começa 100% com a bela “Message of The Bhagavat”, inspirada no milenar livro de Bhagavat, um dos pilares do Hinduísmo, vai para “Civilized Man” uma critica voraz a civilidade humana, que coloca o homem como o ser importante sobre todas as classes de animais. Segue com “Here We Go”, minha favorita, a valorização do sexo sobre o sentimento, a busca pela dita felicidade comercial. Em “Appreciation”, o questionamento sobre a época em que vivemos, a não valorização dos outros seres vivos. Já em “Empathy” nunca é tarde para procurar por mudanças. 

Chegamos em “Not The Flesh”, uma critica contra o racismo, guerras baseadas em pigmentos de pele. “Chance” fala das oportunidades que nós são dadas, temos que estar atentos a elas, pode não novas oportunidades. Continua com “Mantra”, musica que nomeia o disco, uma busca pela felicidade. Em “Surrender to Your TV” a escravização da sociedade pela televisão. Continua com “Letter To a Friend”, a mudança de atitude, mas não de ideal punk para todo sempre. Finalizando “Metamorphosis”, a mudança, a procura pela melhora, não nascemos como somos procuramos evolução.

Depois deste verdadeiro calhamaço de positividade, recheado de um discurso coerente, a banda passou a ser reconhecida mundialmente. 

Um dos discos mais bem gravados por uma banda de Hardcore, conseguindo unificar o som pesado com questões pessoais, causas humanitárias e existenciais, não pode deixar de receber sua medalha de Clássico.

Eu indico para você, que esta de bobeira a procura de bons sons e não quer cair na mesmice.

A música alternativa e o Hardcore sempre tiveram como particularidade a junção de temas e elementos um tanto estranhos, mas ao mesmo tempo bem singulares. Neste caso é marcante a mistura da cultura Hindu com a pesada musica ocidental. Mostra que varias “artérias” podem ser abertas, basta vontade de fazer música boa e honesta. 

Marcelo Guido e Punk, pai, marido, jornalista e professor “... Odeia Ricota e Tofú”