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domingo, novembro 23, 2014

33 anos do soco de Anselmo Vingador

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Como bom flamenguista, sempre leio, assisto e ouço tudo sobre o Flamengo. Entre os títulos conquistados pela máquina rubro-negra dos anos 80, comandada por Zico, um fato marcou a Libertadores de 1981, conquistada no dia 23 de novembro daquele ano: Um soco. Sim, uma porrada desferida por Anselmo, atacante do Flamengo no zagueiro Mario Soto, do clube chileno Cobreloa. 

Vamos por partes. Depois de passar invicto até a final, o Mengão, campeão brasileiro de 1980, decidiu com o torneio com o Cobreloa. No primeiro jogo das finais, realizada no Maraca, o time da casa venceu por 2x1, com dois gols de Zico. Na partida de volta, no Chile, o time do Flamengo apanhou muito dos donos da casa (agressões mesmo), liderados pelo zagueiro Mario Soto (o brabão) e acabaram ganhando o jogo por 1x0.

Nessa partida, o Mengo ficou desfalcado dos jogadores Lico, com um corte na orelha e Adílio, ferido no olho. Ambos abatidos pelo defensor chileno. Li em algum lugar que ele agredia os jogadores brasileiros com uma pedra no punho fechado, se é fato, não sei dizer. Relatam jornais da época que o próprio Pinochet, nas tribunas, virou-se para um adepto e disse chocado: “Não está exagerando, o nosso Mario Soto?” Imagine como o cara estava “virado no cavalo do cão”. 

Então rolou a “negra”, uma terceira partida, em campo neutro, realizado há exatos 33 anos, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O Mengão, que tinha infinitamente mais bola, venceu pelo placar de 2x0, com dois gols do Galinho.

Mas ainda faltava a forra contra Soto, foi aí que, no finalzinho do jogo, o técnico do Mengo, Paulo César Carpeggiani, chamou Anselmo, um jovem atacante de 22 anos, e disse:” Vai lá e dá um soco na cara do Mario Soto”. Anselmo entrou na partida, se aproximou do zagueiro chileno e, na primeira jogada, deu um pau na cara do chileno, que foi a nocaute. O lance causou um porradal, o jogador do Flamengo foi expulso junto com Mario Soto. A decisão logo acabou e o Flamengo virou campeão da América.

Depois foi só festa. No desembarque do time no Galeão, a delegação se deparou com uma imensa faixa escrito: “Anselmo vingador!” Pronto, Anselmo era tão herói quanto Zico. Mesmo suspenso, o “Vingador” viajou com o time para o Japão, onde o Mengão derrotou o Liverpool e sagrou-se Campeão Mundial Interclube, em 1981.

Li várias reportagens sobre este fato, mas as duas melhores declarações foram:

“Este episódio exprime uma contradição insolúvel do futebol e da vida. Todos nós temos discursos humanistas e politicamente corretos em favor do espírito esportivo e do sentimento cristão. Mas quem sofre uma agressão covarde não esquece. Futebol é arte, balé, xadrez, mas é um jogo viril e abrutalhado em que façanhas como a de Anselmo refletem o alto grau de testosterona e de agressividade primitiva que nos leva a correr atrás da bola. Nosso lado civilizado homenageia aqueles que descartam a vingança física e se contentam com dar o troco na bola e no placar. Mas dentro de cada fã do futebol existe um brutamontes-mirim que não resiste à poesia de um murro bem dado” - Jornalista Braulio Tavares - Jornal da Paraíba

"Tenho sobre essa porrada uma tese irrefutável - ali, graças a Anselmo, as ditaduras latino-americanas que assombraram o continente durante a Guerra Fria começaram a desabar. O destino do próprio Pinochet foi selado naquele momento. Não é a toa que, em recente pesquisa publicada na Inglaterra, acadêmicos de renome consideraram que as três quedas mais impactantes da história foram a do Império Romano, a do Muro de Berlim e a de Mario Soto na final da Libertadores." - Luiz Antonio Simas, professor carioca.

Bom, acredito que em certos momentos, extremos claro, um murro vale mais do que mil palavras (risos). Viva o Mengão e o Anselmo Vingador!

Elton Tavares

sábado, novembro 15, 2014

Hoje o Flamengo comemora 119 anos

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Hoje comemoramos 119 anos de elegância, bem vestir e protagonismo febril. Sim, todos eles na primeira divisão do Brasileirão. O Flamengo, que foi criado no 2º dia, quando se separaram as águas e os céus, mas que comemora no dia 15 a fundação que se deu em 17 de Novembro 1895, é tão foda que até hoje é a única coisa no mundo que faz aniversário dois dias antes de ter nascido. Somos mesmo muito especiais.

Obrigado Zico, Junior, Andrade, Romário, Ronaldo Angelim, Leo Moura, Petkovic, Adriano e Hernade Brocador, entre tantos outros que fizeram este coração rubro-negro bater mais forte!

Para finalizar este post, faço minhas as palavras do amigo André Mont’Alverne: “Ser flamengo não é assim. Ser flamengo é ser exagerado, é ter orgulho em ser a maioria. E os que não compartilham dessa felicidade, que não me entendam mal, a humildade simplesmente não é uma das virtudes do torcedor flamenguista, e por que haveria de ser? A história desse clube justifica essa maravilhosa mania de grandeza”. É isso!

Elton Tavares

quarta-feira, novembro 05, 2014

‘Torcida será o 12º jogador’, diz líder de organizada do Flamengo no Amapá

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O presidente da torcida organizada do Flamengo no Amapá, a FLA Amapá, Kellder Costa, diz que o apoio da torcida servirá como o ‘12º jogador’ no jogo de volta contra o Atlético-MG, no Mineirão, pela Copa do Brasil, nesta quarta-feira (5). Costa diz que o rubro-negro deve respeitar o adversário, apesar da vitória no Rio, e espera uma partida equilibrada e difícil, com a lesão de Léo Moura.

- Meu palpite é de que o jogo fica no placar de 1 a 1 e vamos avanças. Acredito que o gol será de Eduardo da Silva, jogador frio e que não treme em decisão. Pelo Atlético Mineiro, Diego Tardelli marca - aposta o presidente. 

O presidente da FLA Amapá diz que as chances do Flamengo passar para mais uma final da Copa do Brasil tornam iminente a chance do tetracampeonato da competição. Mas para isso, acrescenta, é necessária a energia positiva da torcida de todas as regiões do país.

Kellder Costa diz que o trabalho do técnico Vanderlei Luxemburgo deu uma nova visão de jogo para o time rubro-negro.

- O time, com a chegada de Luxa, com certeza obteve um padrão tático em campo, organizado, marcando muito e explorando sempre os contra-ataques. Motivado e focado, é o melhor treinador em atividade no Brasil, pelo currículo e pelo que sabe de futebol. E está provando Isso - avalia.

O presidente diz que, com a possível classificação, membros da FLA Amapá irão à decisão. Flamengo e Atlético-MG jogam nesta quarta-feira (5), a partir das 22h (horário de Brasília), no estádio Mineirão.

segunda-feira, novembro 03, 2014

Amapá terá exposição do livro '1283' que conta a história do Rei Pelé

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Pela primeira vez o Amapá recebe o livro '1283' que conta a história do jogador Pelé, considerado por muitos como o rei do futebol. A obra ficará em exposição por dois dias em uma instituição de ensino superior de Macapá, localizada na Zona Norte da cidade, e será aberta para visitação pública na próxima quinta-feira (6).

Foram impressos 1.283 edições do livro, o mesmo número de gols marcados pelo camisa 10, que tem 500 páginas com 1.283 textos (em português e em inglês) contando histórias 'pra lá' de emocionantes do eterno craque do futebol brasileiro. Aline Burigo, responsável pela exposição do livro em Macapá, conta que será uma boa oportunidade de o amapaense conhecer a história do Rei Pelé, cuja carreira se encerrou há quase 4 décadas.

- Estamos muito lisonjeados de poder homenagear este grande brasileiro. Receber essa raridade nos permite valorizar a importância do esporte na trajetória de vida de pessoas como Pelé, que fez história no Brasil e no mundo. Para quem não conhece a história do rei do futebol talvez seja uma experiência única - afirma a diretora.
O livro ‘1283’ é digno de rei. O livro foi impresso na Itália com capa revestida de seda italiana, lombada em couro, estojo confeccionado artesanalmente e impresso em GardaPat Kiara – um papel fabricado às margens do lago de Garda na Itália. A obra chegou em Macapá no dia 31 de outubro.

- Originalmente a recomendação era que o livro fosse exposto apenas para os funcionários da Estácio Seama, mas entramos em consenso que esta grande obra tem que ser mostrada para todos. Por isso, abriremos dois dias de exposição para os alunos amapaenses - disse Aline Burigo.
Confira os dias e locais onde será exposto o livro '1283':

Quinta-feira (6)
Local: Faculdade Estácio Seama 
Horário: 18h às 21h
Endereço: Avenida José Tupinambá, 1223, Jesus de Nazaré
Tel: (96) 2101-5151
Sexta-feira (7)
Local: Famap
Horário: 18h às 21h
Endereço: Rodovia Juscelino Kubitschek S/N - Km 02
Tel: (96) 3312-2200 

*Rafael Moreira, com orientação do editor Wellington Costa.



terça-feira, outubro 28, 2014

Hoje é o Dia do Flamenguista (viva nós!)

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Hoje é o Dia do Flamenguista. A data é comemorada em 28 de outubro, por ser o mesmo dia do padroeiro do Flamengo, São Judas Tadeu. São 40 milhões de torcedores em todo o mundo.  Entre eles, nós aqui no Amapá. "Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia“, disse Nelson Rodrigues, fanático tricolor desprovido de vaidades clubisticas na hora de analisar futebol.

O Flamengo possui a maior do mundo. Aí dizem: “Torcida não ganha jogo”. Talvez as de outros clubes não, mas a massa rubro-negra ganha sim. A cidade mais populosa do mundo é Tóquio. E tem 34 milhões de pessoas. A maior do Brasil é São Paulo, com 19. O Flamengo, sozinho, tem 40. Se cobrasse impostos seria trilhardário. Não cobra, e vive devendo. Deve milhões, e isso não faz a menor diferença.

Legal ter um dia do Flamenguista, mas para quem é rubro-negro, todo dia é dia. Começa em 1° de Janeiro e só acaba no dia 31 de Dezembro. Para melhorar a data, estamos classificados para a fase final da Copa do Brasil. É verdade que o Flamengo não faz um bom Campeonato Brasileiro, mas o importante é que o vascu segue na séria B (risos).  

Ser Flamengo é algo que não tem comparação. Eu não nasci assim, e nem ouso dizer se felizmente ou infelizmente. Flamenguista é aquele sujeito que ama futebol acima do que ele o proporciona. Aquele que não troca amor por resultados, e que não condiciona sua preferência por um ou outro jogador.

Por isso, torcedores de outros clube odiarem o Flamengo é absolutamente justificável. Você não é Flamenguista? Não? Azar o seu!

Neste dia, lembro do meu saudoso pai, Zé Penha, que nos incentivou a torcer para o Flamengo. Do meu irmão Emerson (na foto com o Léo Moura), que o flamenguista mais fanático que conheço. Do Edmar Campos, meu amigo Zeca, com quem nunca perdi uma final ao assistir o jogo com ele. Do Sal, Topo, Amaral, Cabeça, Arley, André (na foto pegando autógrafo do Adílio, ídolo daquele time de 80), entre outros amigos com quem vivi as emoções de Ser Flamengo. 

"Cobra coral, papagaio vintém, Vesti rubro-negro, Não tem pra ninguém...", Enfim, Flamengo até depois de morrer. Viva nós!

Ser Flamengo (texto maravilhoso de Artur da Távola - vídeo emocionante)

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Ser Flamengo

Ser Flamengo é ser humano e ser inteiro e forte na capacidade de querer. É ter certezas, vontade, garra e disposição. É paixão com alegria, alma com fome de gol e vontade com definição.

É ser forte como o que é rubro e negro como o que é total. Forte e total, crescer em luta, peleja, ânimo, e decisão.

Ser Flamengo é deixar a tristeza para depois da batalha e nela entrar por inteiro, alma de herói, cabeça de gênio militar e coração incendiado de guerreiro. É pronunciar com emoção as palavras flama, gana, garra, sou mais eu, ardor, vou, vida, sangue, seiva, agora, encarar, no peito, fé, vontade. Insolação.

Ser Flamengo é morder com vigor o pão da melhor paixão; é respirar fundo e não temer; é ter coração em compasso de multidão.

Ser Flamengo é ousar, é contrariar norma, é enfrentar todas as formas de poder com arte, criatividade e malemolência. É saber o momento da contramão, de pular o muro, de driblar o otário e de ser forte por ficar do lado do mais fraco. É poder tanto quanto querer. É querer tanto como saber; é enfrentar trovões ou hinos de amor com o olhar firme da convicção.

Ser Flamengo é enganar o guarda, é roubar o beijo. É bailar sempre para distrair o poder e dobrar a injustiça. É ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram, é jamais se arrepender, exceto do que não faz. É comungar a humildade com o rei interno de cada um.

É crer, é ser, é vibrar. É vencer. É correr para; jamais correr de. É seiva, é salva; é vastidão. É frente, é franco, é forte, é furacão. É flor que quebra o muro, mão que faz o trabalho, povo que faz país.

Artur da Távola

sábado, outubro 25, 2014

Paysandu está de volta à série B do Brasileirão

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Um ano depois do descenso para a Série C o Paysandu garante uma vaga e retonra à série B do Brasileirão ano que vem. A partida que definiu o retorno do Papão foi realizada na tarde deste sábado (25) em Juiz de Fora (MG).  Vale lembrar que no jogo de ida, disputado no sábado passado, no Mangueirão, em Belém, o Paysandu já tinha vencido  o Tupi por 2 a 1

O Tupi começou melhor na partida , com maior posse de bola enquanto o Paysandu ficou  recuado no campo defesa e esperando o contra-ataque. Uma reclamação de ambos os times foi sobre má condiçao do gramado no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora. A primeira boa chance do Paysandu no jogo foi com o lateral direito Pikachu que aos 26 min do primeiro tempo chutou de fora da área, mas o goleiro Rodrigo pegou bem. No fim do primeiro tempo foi a vez do Tupi fazer boas jogadas. Chico chegou a drilbar Charles do Paysandu e  chutar,  mas a bola foi para fora.

No segundo tempo o Paysandu partiu para o ataque  Bruno Veiga e Pikachu chegaram a  chutar para o gol mas foram atrapalhados muitas vezes pelas péssimas condições do gramado. No fim do segundo tempo um cartão vermelho para o jogador Wesley Ladeira do Tupi favoreceu o Papão que já se saia bem no jogo. Aos 41 minutos, Ruan abriu o marcador e faz o primeiro gol do jogo para o Paysandu garantindo a volta do time paraense para série B do Brasileirão em 2015.

sábado, outubro 11, 2014

Série D

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segunda-feira, setembro 22, 2014

Em Manaus, Santos vence o Princesa e está na 2ª fase da Série D

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Após derrotar por 3 a 2 o Princesa do Solimões no estádio Ismael Benigno, no último sábado, 20, em Manaus, o Santos, do Amapá, eliminou o time rival e se classificou para a segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol. Até os 39 minutos do segundo tempo, o jogo estava empatado.

O terceiro gol do “Peixe da Amazônia”, que garantiu a classificação, foi feito pelo goleiro Diego numa cobrança de falta. Os outros gols do time do Santos foram feitos no primeiro tempo pelos jogadores André Beleza, aos 3 minutos e Carlinhos Maraú, aos 43.

Se o jogo tivesse terminado com um empate, o Princesa do Solimões teria se classificado.  

Na partida, o time do Santos-AP contou com os jogadores Diego, Cavalo (Aldair), Welington, André Luis, Pretão (Michel) e Carlinhos Maraú; Sandro, André Cabeça e Acosta (Tiquel); André Beleza, Jean Marabaixo e o técnico Darlan Souza.

O Santos vai jogar no próximo domingo (28). Atualmente, o time é o vice-líder com 16 pontos na tabela e com o saldo de 4 gols. O Princesa do Solimões está com a mesma pontuação do Princesa, porém com o saldo de 1 gol.

quinta-feira, setembro 04, 2014

Flamengo, Master Supremo das Improbabilidades.

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Por Arthur Muhlenberg

Meu irmão e minha irmã, todos os infiéis e incréus que não comungam do culto aos nossos deuses vermelho-e-pretos preferem morrer pra não ter que admitir que eles sabem muito bem que o único clube do planeta que reúne os traços do herói arquetípico clássico é o Flamengão Fuderosão Hexacampeão.

Nossas vitórias impossíveis, nossas frequentes e inexplicáveis ressurreições após a expedição apressada de atestados de óbito forjados pelos nossos magoados rivais e nossa magnífica e incomparável Sala de Troféus com suas dimensões épicas e em constante processo de expansão desde 1895, enche nossos clientes, fregueses e fornecedores de ira impotente.

Essas características do herói arquetípico vocês conhecem muito bem, talvez por outro nome. Os gregos pontificaram há milênios que o herói é o protagonista nos gêneros épico e dramático. O centro das atenções, o condutor da história e personagem da História. O herói é mais que os outros, ele fica no meio do caminho entre os deuses e os reles mortais. Ora, só podem estar falando do Flamengo, concordam?

O herói (e o Mengão) é semidivino porque mesmo sendo humano ele consegue exercer aquelas virtudes que estão ao alcance de todos os homens, mas que são muito difíceis de se praticar na real, tipo coragem, força de vontade, paciência, determinação, bla-blá-blá. Mas pela sua parte humana o herói também vacila, tem fraquezas e dúvidas. Essas vacilações aproximam o herói do público, que se identifica, se vê representado por aquele personagem e se irmana na sua fraqueza momentânea.

Uma coisa muito importante é que o herói, por ser um protegido dos deuses, tem que ser sempre um exemplo de conduta em sua busca pela justiça, pela paz ou, às vezes, pela vingança (mas sempre para vingar uma injustiça). Existe algum time no mundo que reúna todas essas características que não seja o Flamengão?

Nos cânones da dramaturgia está mais ou menos escrito que pra história ficar maneira e interessante o herói não pode se dar bem logo no começo porque aí quebra a firma. Os pessoal gosta de sofrer um bocadinho. O herói tem que enfrentar reveses, dificuldades e peripécias antes de alcançar o seu objetivo, que é sempre o clímax da narrativa. São esses perrengues aparentemente insolúveis (cátedra em que o Flamengo é doutorado magna cum laude) que vão prendendo a atenção da massa.

Os gregos sabiam das coisas, imaginem que tédio seria se o Hércules resolvesse suas paradas rapidamente e ficasse no 0×0 com o Rei Euristeu logo no começo do livro. Hoje ninguém ia falar dos 12 cascudos trabalhos que o cara teve que fazer pra se livrar do inquérito por ter matado a própria mulher e a filha ( um acidente armado pela venenosa Hera conforme apurou o inquérito subsequente).

Justamente por causa desse preciosismo dramatúrgico muitos rubro-negros mal conseguem disfarçar a alegria com que se inscrevem em qualquer crisezinha fajuta que tentem erguer lá pros lados da vitoriosa Gávea Sinistra. É uma alegria para esse ramo de flamenguistas quando a nossa casa ameaça cair. Não os julgo mal, eu entendo perfeitamente esse tipo de torcedor. Eles não são menos Flamengo que nenhum de nós, mas estão doidos pra entrar em cena e darem aquela moral pro herói se dar bem no final. E quem não está a fim de formar no bonde do Mengão quando ele começa a subir a ladeira pra poder dizer depois:- Eu tava lá! Nossa torcida arrebentou e fez a diferença! ?

Assim é o Flamengo e assim é a torcida do Flamengo. Temos mesmo essa veia heroica pulsando no pescoço, sempre na iminência de estourar de um momento pro outro. Não suportamos os benefícios terapêuticos de uma trajetória de discreta ascensão gradual rumo ao topo. Não, a torcida do Flamengo se viciou na adrenalina que só a beira do abismo produz. A liderança inconteste nos aborrece, as chances matemáticas de uma quarta rodada em um grupo de 6 nos enfada, buscamos a ameaça da catástrofe entre os saltos acrobáticos que damos a cada rodada.

Porque acreditamos piamente que só quando tudo parece perdido e só a nossa pequena e indomável torcida e o darwinismo bancam a aposta em nossa sobrevivência, que se faz o milagre flamengo. É nesse preciso momento, com a chapa bem quente e mínimas chances de êxito, a finest hour de qualquer rubro-negro. É quando o torcedor, agora investido mediúnicamente dos poderes divinos do Manto Sagrado e da longa sequência de Pais da Nação que remonta a 1895, se torna ainda mais indispensável, necessário e decisivo.

Por isso mesmo eu não acredito muito quando o Flamengo faz aquele tipo de campanha impecável onde nossos guerreiros saem de campo com os calções imaculadamente alvos. Sou muito mais o Mengão quando ele vem-que-vem-que-vem-quicando pra passar o rodo geral. Tropeçando 3 vezes e levantando 4, partindo pra cima e ganhando tudo.

Isto posto, considero até desnecessárias as recomendações para que o time, seja lá qual for a escalação, parta com tudo pra cima do pequeno Coritiba. É mais do que evidente que a vitória é obrigatória, ainda que a classificação não seja. Como já foi dito anteriormente, essa é a Copa do Brasil mais mole do ano, a que foi disputada em junho e julho é que foi cascuda.

Se o Mengão entrar na mesma onda da torcida, que não admite frescagem ou desânimo, nossa honra se manterá intacta, seja qual for o resultado da peleja. E cá pra nós, o que é meter 4 gols no coxa para quem já voltou das profundas do inferno? O que é restabelecer o nexo causal em uma competição esdrúxula para quem costuma saltar para fora do próprio esquife em apoteóticas rentrées no mundo dos vivos?

Adotar nossas crenças, adorar nossos deuses, seguir nossos ritos, enfim, fazer parte da grande aventura de ser Flamengo, é muito maior do que qualquer ambição esportiva transitória. As outras torcidas precisam conquistar, ter, possuir algo. O torcedor do Flamengo é diferente. O torcedor do Flamengo, assim como o próprio Flamengo, simplesmente é.

Mengão Sempre!

Égua-moleque-tu-é-doido: Grêmio é excluído da Copa do Brasil

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O Grêmio está excluído da Copa do Brasil. A decisão ocorreu após julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na tarde desta quarta-feira. Em quase quatro horas de sessão no Rio de Janeiro, os auditores resolveram, unânimes em 5 a 0, pela punição após denúncia feita pela procuradoria, baseada no artigo 243-G (e seus parágrafos) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O caso ocorrera na última quinta-feira, quando o goleiro do Santos Aranha foi alvo de injúrias raciais por parte de torcedores gremistas, no 2 a 0 do clube paulista, pelo jogo de ida das oitavas – a volta estava suspensa. (Leia mais)

domingo, agosto 31, 2014

Valeu, Mengão!

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Cinco vitórias seguidas, sendo q três delas fora de casa. 18 pts conquistados, em 21 possíveis. Ñ sei ao certo onde esse time chegará, mas independente do tropeço no meio da semana, e do q acontecerá no jogo de volta, conseguimos resgatar nossa dignidade. Valeu, Mengão!

terça-feira, agosto 26, 2014

Abriu, não troca mais. (crônica do amigo @idanielsa em homenagem aos 100 anos do Palmeiras)

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Havia chegado o grande dia. Finalmente compraria seu primeiro time de futebol de botão.

Subiu em sua bicicleta e se dirigiu ao pequeno estabelecimento comercial, onde, tradicionalmente, se vendia de tudo um pouco. A distância a percorrer era razoavelmente grande para uma criança com pouco menos de dez anos.

Apesar da pouca idade, ele já se declarava torcedor do Flamengo, só que o time de futebol de botão que encheu seus olhos foi o do Palmeiras, com aquele verde forte e imponente. A década de 80 foi um período com grandes conquistas do rubro-negro carioca no futebol nacional e internacional, sendo previsível que crianças em todo o país passassem a simpatizar e torcer por ele. Mas o garoto, desconhecendo o longo período sem conquistas que o clube paulista enfrentava, escolheu o alvi-verde palestrino* como seu primeiro time de futebol de botão.

Voltou para casa todo orgulhoso pela compra, ansioso para estreá-lo mostrando ao irmão mais velho, ao tio quase da idade do irmão, aos primos e aos amigos da vizinhança. Agora poderia brincar sem ter que pedir emprestado deles.

Quando abriu a embalagem, uma surpresa nada agradável. As peças estavam todas retorcidas... tudo empenado. Talvez por ter sido exposto ao calor excessivo do meio do mundo**, o material plástico não suportou e entortou. Ou o defeito poderia ser da fabricação, não havia como descobrir. O certo é que todos disseram pro garoto voltar lá para trocar, e foi o que ele fez.

No estabelecimento comercial, com o brinquedo em mãos, pediu que fosse trocado por outro em perfeitas condições de uso, mas ouviu do comerciante, com um ligeiro sorriso na boca, uma frase que marcaria sua infância:

_ Abriu, não troca mais.

Um abatimento profundo tomou conta daquela criança, que voltava para casa em sua bicicleta deixando pelo caminho não só as marcas dos pneus, mas também as marcas da sua tristeza infindável, com as lágrimas que pingavam no chão.

"Crônica autobiográfica que escrevi em 2009, em meu antigo blog "anônimo", que hoje dedico ao centenário da Sociedade Esportiva Palmeiras"Ivan Daniel Amanajás

* Palestra Itália foi o primeiro nome do Palmeiras.
** A cidade é cortada pela Linha do Equador.

Obs: Eu, o dono do blog, sou flamenguista graças a Deus. Mas o texto é legal e o cara é brother. Parabéns a ele e ao seu time. 

terça-feira, julho 08, 2014

Seleção Brasileira pega o time alemão. Hoje sou mais Brasil!

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Aí escuto coisas como: “é preciso recuar o time” ou “a Alemanha tem conjunto” e “O Brasil não é nada sem Neymar”. Porra! É claro que o nosso camisa 10, que foi covardemente machucado no combate contra a Colômbia, faz falta. E é lógico que os germânicos possuem um timaço. E daí? 

O lance é chutar o medo no ângulo do gol alemão. O Neuer (nóia para alguns) é um grande goleiro, mas hoje engole dois ou mais. Não é o caso de subestimar o escrete alemão e muito menos uma soberba ilusória. É que hoje nós venceremos sim!

Não acredito que fechar o time e colocar “todo mundo” e mais o Felipão para defender é a solução. É preciso que esses jogadores façam o que sempre fizeram em seus clubes (ainda acredito que a estrela do Fred vai brilhar), joguem organizados, com muita força de vontade e disciplina tática. 

Este texto parece excessivamente otimista? A ideia é essa mesmo. Não para a auto ilusão ou tentativa efusiva de contagiar o torcedor brasileiro. A verdade é que nossa seleção possui qualidade técnica, força física e talento de sobra para enfrentar os famigerados alemães. 

Motivos? Primeiro que se a seleção brasileira jogar a bola que jogou no jogo passado, goleia. Segundo, o time vai entrar unido e com mais garra ainda pelo fator “força Neymar”. Terceiro, estamos em casa e essa Copa, a mais firmeza de todas, é nossa. 

David Luiz emana força e garra; Júlio César transmite segurança, Luiz Gustavo marca muito bem e dá porrada quando é preciso. Além disso, os apagões do talento dos demais certamente são coisas do passado, pois é semifinal de Copa. A nossa Copa. 

Hoje realmente será um lance meio Davi x Golias, mas neste caso, nós somos o gigante e ele não cairá. 

Aposto que ganharemos dos alemães hoje.  Ok, pode ser megalomania nacionalista, mas acredito do fundo do coração e como fã de futebol há mais de 30 anos, que o time vem com tudo. E quando a bola rolar, sou mais Brasil!

Elton Tavares

domingo, julho 06, 2014

As costas que suportam o mundo não suportaram covardia

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Crônica / Matheus Pichonelli

Na coletiva de imprensa da véspera da estreia na Copa do Mundo, um repórter desafiou Neymar a fazer uma pergunta ao chefe, Luiz Felipe Scolari.

-Eu jogo amanhã, professor?, perguntou o camisa 10, provocando não um riso, mas uma gargalhada no treinador e nos jornalistas que acompanhavam a entrevista.

A pergunta era quase um drible característico: tão improvável quanto absurdo. Que ele jogaria estava claro desde que vestiu pela primeira vez a camisa da seleção brasileira, em um amistoso contra a seleção dos EUA, em 2010, ainda sob o comando de Mano Menezes. Desde então, a equipe se resumia a uma frase: era ele e mais dez. Ele e mais dez contra a rapa.

O drible de Neymar na coletiva era o drible em uma armadilha. O que todos queriam saber, dentro e fora daquela sala de imprensa, era se ele, a partir do dia seguinte, suportaria todo o peso do mundo em suas costas. Durante cinco partidas ele suportou. Nem sempre com brilho, mas suportou: foram quatro gols, um pênalti derradeiro contra o Chile, e duas assistências, uma delas no duelo das quartas, quando fez a bola atravessar, oblíqua e dissimulada, a área colombiana até chegar aos pés do capitão Thiago Silva.

Àquela altura já imaginávamos como seria o duelo com os alemães, na semi: o Brasil, um time entre médio e esforçado, contra uma equipe tão fria e previsível quanto mortal (um amigo costuma dizer: “nada contra a seleção alemã, mas eu prefiro futebol”). Mas os anfitriões tinham um trunfo, ele vestia a camisa 10 e era o único dos 22 em campo capaz de desembaralhar um castelo de cartas construído na base da ciência, da técnica e da aplicação.

Triste ironia: as costas que suportaram o mundo não suportaram a covardia, uma entre tantas sofridas desde que pisou em campo como profissional. Dessa vez, a joelhada do lateral Camilo Zuñiga, aos 40 minutos do segundo tempo de um jogo quase ganho, doeu mais. Não a dor física, a menor das dores, ainda que imensa. Mas a dor de ser içado, com um gancho de guindaste, do próprio espetáculo: uma Copa, em casa, no auge da forma técnica e física.

O Brasil que se chocou ao ver a fratura da tíbia de Anderson Silva, a rótula exposta de Ronaldo Fenômeno e a batida fatal de Ayrton Senna assistia, assim, ao seu principal jogador na década deixar o estádio a caminho do hospital na maca, aos prantos, com um lenço no rosto como um sudário. Não, não precisávamos de um outro mártir, não a essa altura do campeonato. Porque, no fundo, sabemos: não há lição na perda se não a dor, e esta não deixa legados. Mas se há didatismo em toda tristeza é que no esporte, como na vida, não são os músculos e o desejo que moldam o destino, mas as rasteiras. As rasteiras e suas variações: uma joelhada nas costas, um pênalti cavado, uma mordida no rival, um carrinho criminoso. O arsenal entra na lista das habilidades humanas, e tudo o que é humano é imponderável.

No mundo ideal, o futebol seria só futebol, um intervalo lúdico de uma rotina ordinária. Na vida real o esporte é mais que isso: é a rotina ordinária em retrato instantâneo. A rotina ordinária e suas contradições. Nele reconhecemos a beleza, como o consolo de David Luiz sobre James Rodríguez ao fim do jogo. Mas reconhecemos também nossas misérias.

Dentro de campo é possível identificar em tempo real a potencialidade destruidora da nossa preguiça, da nossa mesquinharia, da nossa covardia, da nossa pequenez, da nossa arrogância, da nossa presunção. No esporte, como na vida, ensinam apenas que o importante é vencer. E que não há superação sem conquistas. Por causa dessa lógica, muitos foram limados do esporte, e da vida, sem ter a chance da redenção. Neymar é jovem, vai ser reerguer, vai disputar outras Copas e pode levantar a taça ainda este ano. Mas será sempre, e a partir de agora, a imagem, carregada na maca, de um tempo projetado por Carlos Drummond de Andrade: o tempo em que as mãos tecem apenas o rude trabalho, e o coração está seco – por mais que chorem, eu diria, porque choram de aflição e medo. Justo ele, que suportou o peso do mundo sobre os ombros.

Neymar não é só vítima do absurdo: é vítima de um risco calculado, a estratégia que ensina obediência tática pela imprudência física. Uma imprudência modelada na preleção: se for para perder o jogo, é melhor não perder a viagem. Zuñiga obedeceu às ordens, como os rivais brasileiros, e suas botinadas não menos imprudentes, ao longo de toda a Copa.

A fratura na terceira vértebra lombar tirou Neymar da Copa, e tirou do mundo a oportunidade de assistir, na próxima terça-feira, ao duelo mais nítido entre a razão e o improviso, entre a matemática e a falta de juízo. Não só: tirou o mundo das costas de Neymar e o distribuiu aos outros jogadores da equipe. Nem o mais pessimista dos torcedores imaginaria um roteiro tão cruel, mas do absurdo pode nascer a redenção. Agora não é mais Neymar e mais dez. É Neymar e mais onze. O mundo agora, diria Drummond, não pesa mais que a mão de uma criança.

sexta-feira, julho 04, 2014

Neymar x James

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Eles têm 22 anos, vestem a camisa 10 e são os craques de suas equipes nesta Copa do Mundo. Hoje, no Castelão, em Fortaleza, ficarão frente a frente para brigar por uma vaga entre as quatro melhores seleções do planeta. Beneficiado por uma trajetória bem menos atribulada na competição, o colombiano James Rodríguez soma números melhores, com destaque para sua precisão e poder de decidir um jogo. 

Neymar, no entanto, também chega para o duelo de quartas de final como um astro de primeira grandeza na Copa – só que tendo atravessado um caminho bem mais sofrido e desafiador, com uma estreia dura contra a Croácia e batalhas contra México e Chile. 

James, que explodiu no Banfield, da Argentina, passou também pelo Porto e custou 45 milhões de euros ao Monaco. Soma 26 partidas pela seleção adulta da Colômbia e dez gols marcados. Neymar, cria do Santos e contratado por 57 milhões de euros (declarados na transferência) pelo Barcelona, já tem 53 jogos e 35 gols pela seleção do Brasil. 

Neste Mundial, James conta cinco gols e duas assistências, tendo participado de sete dos onze gols de sua equipe. Se marcar contra o Brasil, ele será o primeiro atleta desde Rivaldo em 2002 a balançar as redes nas cinco primeiras partidas de uma Copa. Neymar, por sua vez, tem quatro gols, metade dos oito anotados pelo Brasil, e nenhuma assistência.

Meu comentário: vai dar Neymar. 

Bares legais para assistir o jogo do Brasil (Depois ainda rola som bacana)

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Underground Clube Rock Bar

Endereço: Underground Clube Rock Bar, localizado na Avenida 13 de setembro, Nº 269, no bairro do Trem, Zona sul de Macapá.

Alô Gelada

Endereço: Bar Alô Gelada, Localizado na Rua Hildemar Maia, 3347, Buritizal, entre Goitacases e Aimorés. 

Diretoria Drink & Music

Endereço:Avenida Mendonça Júnior, esquina com Rua. Manoel Eudóxio Pereira (onde funcionou a Empada Brasil e Bar Fun). 

Royal Poker Bar

Endereço: Avenida Henrique Galúcio, 1074.

Elton Tavares 

quarta-feira, julho 02, 2014

Complexo vira-latas (Nelson Rodrigues) - Sobre a Seleção Brasileira de 2014

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Já não terá passado a hora de lembrarem-se os convocados de Felipão que são os únicos pentacampeões do mundo?

Não será conveniente lembrá-los que o futebol brasileiro pode ganhar o hexa não por essa bobagem de peso de camisa – que não existe -, mas porque dispõe de jogadores em condições de conquistar o título, muito embora o time esteja jogando aquém do necessário?

Então leiam Nelson.

E vamos deixar de lado o complexo de vira-latas.

Complexo vira-latas

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto:

— Não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: — desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.

E hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: — é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: — se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: — o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade:

— eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: — sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto joga dores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado do Flamengo. Pois bem: — não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma:

— temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “com plexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?” Eu explico.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Por que, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: — porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.

O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.

Insisto: — para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

Nelson Rodrigues