Por Bianca Andrade
Eles buscavam a mesma sintonia, mas houve ruídos na comunicação. Um interpretou de uma maneira o dito, enquanto o outro recepcionou de outra o expressado, e a escultura construída se desfez. Dos cacos, o caos barroco se fez.
Ironia do destino? Deus? Diabo?
Ah! Ruídos... Sejam mal-vindos!
Um chora amargor por ter gostado, o outro de ali um dia estado. Mesmo sabendo que no fundo queriam voltar, negavam. Cada um dizia pelo silêncio: bola pra mim! Orgulhosamente, como todo fim.
Nenhum dos dois estava pronto para ir em frente, bebiam doses duplas de puro lamento. Antes que o primeiro seguisse, o segundo atropelou seu próprio sentir, correu na frente... Esqueceu-se que havia prisões, correntes indissolúveis até então. As fraturas eram expostas e bruscamente sangravam. A emoção ludibriou a dor, carteadas pelo vilão, sempre o culpado coração!
-Quando terá sua absolvição?
Se abertas estivessem as janelas, alimentando seus jardins, teriam visto o sol de um diálogo sorrir para esclarecer as más interpretações, aquecendo todo frio daquele inverno. Mas a chuva prevaleceu, transformou gotas em tempestades em copo d’água.
E na estrada interditada pela erosão, os cones cuidadosamente gritavam, era o momento de todas as horas pararem para o ajuste dos ponteiros... Mas naquela ocasião, não se imaginou que o sinal verde fosse abrir e nenhum quis captar o subliminar quando o relógio disparou o alarme. Subitamente a bola de neve desmoronou.
O primeiro, por ser míope, fora o que mais fingia não se importar, não quis enxergar o que havia embaçado com o gelo, deixando o que o rodeava com o ar de tanto faz, lamentável ignorância. Com sua pressa, o segundo ultrapassou o sinal amarelo, sem esperar o selo do vermelho. Os dois estavam embriagados pela tal razão.
Erguido do situacional descaso e superego, o primeiro viu com lupa o segundo manobrar contramão para a pista que se encontrava o terceiro. Chorou. Perguntou o que fizera de errado, mas não quis arriscar a reta direção.
O terceiro gargalhava. Envolto aos seus falsos encantos, trapaceava... Opa! Mais um ponto na carteira de sedução para quem agia como aprendiz. Tudo se somava, assim como facilmente se descartava.
O segundo quis se iludir, ligou a luz alta e acelerou... Já era tarde, estava escuro no túnel dos jogos. Sem temer, resolveu apostar mais fichas na pista de azar e... Game over!
Por essa comunicação corroída, menosprezaram os cortes que estavam em carne viva, sem curativos, que borravam a delicada tatuagem de suas vidas... E um paradoxo não cicatrizado leva qualquer amador para muitas estradas, sem resgates. E seus destinos se perderam na decadência das convicções equivocadas e nos buracos do auto-abismo.
E nessa história, só os donos de bares foram felizes. Até hoje, entre tantos acidentes e choques, eles sorriam... Queimando todo o estoque!